
O subtema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos, sustentou o canto azul e branco. (Fotos Elinaldo Tavares)
Peta Cid
Especial para o Portal Marcos Santos
Boi Caprichoso abriu sua última noite de apresentação transformando o Bumbódromo em um grande palco de arte, identidade e emoção, que encantou o público do início ao fim. Com um espetáculo marcado pela força da cultura amazônica, alegorias grandiosas, coreografias impactantes e o entusiasmo da torcida azulada, o boi celebrou a resistência, a cultura popular e o amor pelo povo do Norte.
O subtema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos” sustentou o canto azul e branco para além de Parintins, abraçando o Norte do Brasil como extensão desse seu lugar de encontros, reencontros, saudades, memórias, afetividades, identidade e pertencimento.
Abusando do colorido que encheu a arena, o show foi comandado pelo Apresentador Edmundo Oran e pelo Levantador de Toadas, Patrick Araújo. A arena foi tomada por bailados, lamparineiros e brincantes que exaltavam a cultura popular com figurinos de encher os olhos, contagiando a galera que explodiu nas arquibancadas.
A Lenda Amazônica Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente fez referência às histórias que ecoam na memória dos povos das bandas da Ilha do Bananal. O jovem guerreiro Maricá — símbolo de astúcia, bravura e esperança — devolveu a paz e a segurança ao enfrentar a fúria dos macacos com flechas certeiras e a ajuda de duas misteriosas mulheres da floresta: a Cobra e o Sapo, guardiãs de antigos poderes. A alegoria foi assinada pelo artista Gereca Pantoja.
Neste momento da apresentação, a Cunhã-Poranga, Marciele Munduruku, evocou a força ancestral e a bravura dos povos do Norte do Brasil.
Vestida de azul e branco, ela levou para a arena a força simbólica da lenda de Maricá. A Cunhã-Poranga transformou a narrativa heroica em uma celebração da potência feminina que habita os rios, as comunidades e os territórios amazônicos.
Os povos indígenas homenageados pelo Boi Caprichoso nesta noite foram do Parque Indígena do Xingu, a maior e uma das mais importantes Terras Indígenas de proteção sociocultural do Brasil, onde convivem dezesseis povos de diferentes matrizes étnicas e linguísticas. Como território de ancestralidade, memória e continuidade cultural, o Xingu se afirma não apenas como território indígena, mas como um símbolo vivo de resistência, reafirmação cultural e defesa da vida.
No momento cerimonial “Kirimbassawa – Guerreiros de Pindorama”, o Boi Caprichoso apresentou os Tuxauas.
A Vaqueira veio como guardiã da cultura popular brasileira, da memória coletiva, da tradição e da continuidade do boi enquanto patrimônio cultural do Brasil.
A Rainha do Folclore Cleise Simas simbolizou a força cultural da Amazônia presente nas manifestações culturais que fazem da Região Norte um território de celebração permanente de múltiplas culturas. Cleise Simas encarnou o espírito festivo que caracteriza os povos do Norte, para quem a celebração é também um instrumento de fortalecimento da identidade coletiva, transmissão de saberes e reafirmação de pertencimento cultural.
As Farinheiras da Amazônia foram a Figura Típica Regional, exaltando uma figura profundamente enraizada no cotidiano amazônico, tendo a mandioca, corpo de Mani, como alimento sagrado do Bem Viver. A alegoria foi assinada por Makoy Cardoso e Nei Meireles.
A alegoria mostrou a farinheira presente nas aldeias, quilombos, comunidades ribeirinhas e territórios caboclos, representando a mulher que preserva e transmite os saberes da cultura alimentar de matriz indígena, sustentando práticas que atravessam gerações e permanecem vivas na experiência coletiva dos povos da floresta. Um exemplo é a mãe da Cunhã-Poranga do Caprichoso, Néia Albuquerque, presente na cênica da alegoria.
Da alegoria surgiu a Porta-Estandarte Marcela Marialva, trazendo nas mãos o lábaro sagrado, ostentado como bandeira de luta pela vida na Amazônia, defendida por um brinquedo que dança seu território e canta seu chão.
O Auto do Boi Brasileiro, exaltação cultural com alegoria de Brás Lira, foi uma celebração da tradição que dá origem à brincadeira do boi em Parintins. Herdeiro do Bumba Meu Boi, presente em diversas regiões do Brasil, o Auto em Parintins ganha novos contornos estéticos, sem jamais perder sua essência, reafirmando o Boi Caprichoso como um expoente dessa representação, um brinquedo que canta e encanta através da história e da memória de sua gente.
Na arena, o Auto reviveu a história de Pai Francisco e Mãe Catirina, personagens centrais da narrativa popular.
Personagem tradicional do Auto do Boi, a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, surgiu na alegoria e fez uma apresentação que deixou a galera em êxtase ao tocar, no violino, os acordes iniciais da toada Leveza de Sinhá para sua evolução.
A Dança da Transcendência – Gavião Ikolen foi a coreografia dos povos indígenas que antecedeu o Ritual Indígena de Iniciação Xamânica Xicrin, que apresentou Okti, o Grande Gavião-Real, reconhecido pelos Xikrin como um poderoso xamã primordial. É com ele que os pajés aspiram realizar sua iniciação.
O Pajé Erick Beltrão representou a energia ancestral de Okti, o Grande Gavião-Real, primeiro e mais poderoso xamã da cosmologia Xikrin. Acompanhado por um jaguar robótico, o pajé incendiou a arena com sua performance.
O presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, comemorou os três espetáculos do Caprichoso.
“O sentimento é de missão cumprida. O Caprichoso fez três grandes noites de espetáculo, fez grandes entregas, o time unido se abraçou para poder realizar apresentações impecáveis. A gente sai realizado e confiante no título de campeão”, concluiu.