20/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Terreiro denuncia ação da PM por racismo religioso após apreensão de instrumentos sagrados em Manaus

Publicado em 29 de junho, 2026

Terreiro denuncia ação da PM por racismo religioso após apreensão de instrumentos sagrados em Manaus

Conforme a denúncia, a retirada dos instrumentos ocorreu de maneira arbitrária, gerando revolta entre frequentadores e membros da comunidade religiosa. (Foto: Reprodução)

Um terreiro de matriz africana denunciou a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) por racismo religioso, injúria racial e abuso de autoridade após uma ação ocorrida na noite de domingo (28), no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus.

A ocorrência aconteceu durante os festejos de São João e do Turco Jatuarana, realizados no Centro Religioso Mina Jéje-Nagô Nossa Senhora da Conceição. Segundo relatos, policiais foram acionados inicialmente para apurar uma denúncia de perturbação do sossego e poluição sonora.

De acordo com o advogado e sacerdote do local, Heriberto Sena Jr., a abordagem foi marcada por truculência. Ele afirma que os agentes entraram no espaço religioso e apreenderam tambores Batás, considerados instrumentos litúrgicos sagrados, sem apresentação de mandado judicial ou justificativa formal.

Conforme a denúncia, a retirada dos instrumentos ocorreu de maneira arbitrária, gerando revolta entre frequentadores e membros da comunidade religiosa.

Por envolver uma comunidade de povos tradicionais de matriz africana, o caso também foi formalizado junto à Procuradoria da República, no Ministério Público Federal (MPF). A denúncia cita dispositivos legais como a Lei Caó (Lei nº 7.716/89), o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/10) e o artigo 5º da Constituição Federal, que assegura a liberdade religiosa e o livre exercício dos cultos.

Além da denúncia federal, Heriberto Sena Jr. registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil para solicitar a devolução dos instrumentos apreendidos e dar continuidade às medidas legais no âmbito estadual.

Imagens gravadas por pessoas que acompanhavam a celebração passaram a circular nas redes sociais e mostram momentos de tensão durante a ação policial.

Até a publicação desta matéria, a Polícia Militar do Amazonas ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a ocorrência. O espaço permanece aberto para manifestação da corporação.

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