
O espetáculo também reafirmou a diversidade cultural amazônica ao homenagear povos indígenas que construíram a história da região. (Fotos: Elinaldo Tavares)
Josene Araújo
Especial para o Portal Marcos Santos
Sob o tema “Parintins: Terra Encantada”, o Boi Garantido transformou o Bumbódromo em um grande cenário de celebração da identidade amazônica, exaltando a ilha tupinambarana como um território onde arte, magia, crença e fé caminham juntas.
Inspirado no imaginário amazônico, o espetáculo apresentou Parintins como a ilha encantada que repousa sobre o dorso da grande sucuri, serpente ancestral guardiã dos povos da região.
Ao som da toada “Cantiga de Parintins”, de Chico da Silva, a arena foi tomada por itens que celebraram a beleza e os encantos da ilha que flutua no jardim da Amazônia.
Na alegoria de abertura, a Porta-Estandarte Geveny Mendonça e a Sinhazinha da Fazenda, Raira Lins, deram vida à celebração, conduzindo o Boi Garantido em uma apresentação marcada pela leveza e pela emoção.
O espetáculo também reafirmou a diversidade cultural amazônica ao homenagear povos indígenas que construíram a história da região, entre eles os Sateré-Mawé, Munduruku, Konduri e outros povos ancestrais retratados na criação artística de Rogério Azevedo.
Inspirada na rica herança arqueológica e na cosmologia do povo Konduri, a lenda amazônica “Templo do Sol” destacou a devoção a Kwaracy, o Sol, exaltando a ancestralidade expressa na cerâmica e nos saberes indígenas. A grandiosa alegoria criada pelo artista Luiz Sampaio ganhou ainda mais força com a presença da Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira, Rainha do Templo do Sol, cuja imagem inspirou a escultura central da obra. Isabelle se despediu do item.
A evolução foi embalada pela toada “Perrecheiro”, interpretada pelo levantador de toadas David Assayag.
A fé popular também ocupou lugar de destaque na arena com a Figura Típica Regional do Festeiro de Santo, representando o homem simples, devoto e cumpridor de promessas. O momento resgatou a origem do próprio Boi Garantido, nascido de uma promessa feita por Lindolfo Monteverde, reforçando a religiosidade que faz parte da essência do boi vermelho e branco. A alegoria foi assinada pelo artista Denildo Teixeira. No módulo, a Rainha do Folclore Lívia Cristina representou a religiosidade amazônica em uma evolução marcada pela força simbólica da devoção popular.
Fechando a sequência de grandes momentos, o ritual indígena “Travessia das Cinzas” apresentou a visão do povo Konduri sobre a morte como passagem para uma nova existência, com o pajé Adriano Paketa evoluindo.
Na narrativa, o fogo purifica o corpo e liberta o espírito, permitindo o reencontro com os ancestrais nas águas eternas da floresta. Em uma encenação carregada de simbolismo, espiritualidade e memória, o Garantido reverenciou os povos originários da Amazônia e seus saberes ancestrais.
Mais do que uma apresentação folclórica, o Boi Garantido reafirmou Parintins como um território de encantaria, onde tradição, ancestralidade, espiritualidade e fé permanecem vivas, sustentando a identidade cultural da Amazônia e emocionando o público na terceira noite do 59º Festival de Parintins.
O Garantido se despediu com o sentimento de bicampeão.