
Durante todo o ano, torcedores fazem economias, planejam férias e organizam o orçamento para viver a maior manifestação cultural da Amazônia. (Foto: Josene Araújo)
Josene Araújo
Especial para o Portal Marcos Santos
Para quem acompanha de perto o Festival de Parintins, a paixão pelo boi vai além dos três dias de Bumbódromo e tem um custo alto. Durante todo o ano, torcedores de Caprichoso e Garantido fazem economias, planejam férias e organizam o orçamento para viver intensamente a maior manifestação cultural da Amazônia.
A parintinense Mara Jeanne Campos que mora atualmente em Roraima é uma dessas apaixonadas. Integrante do Comando Garantido, ela se programa com antecedência para estar em Parintins todos os anos. Entre passagens, hospedagem e participação nos eventos do boi, os gastos ultrapassam R$ 3 mil.
“Vale a pena vir para Parintins. Se eu não vier, o ano não aconteceu, pago qualquer preço, resume.
Morador de Manaus, Jonas Cavalcante cultiva a paixão pelo Garantido há 22 anos. Para garantir a viagem, ele faz uma poupança anual de cerca de R$ 7 mil. “Eu não bebo, não fumo. Prefiro gastar com aquilo que eu amo que é Parintins, os gastos eu faço com os brindes pra família e as coisas boas da cidade”, afirma.
Além das despesas com transporte e estadia, Jonas investe em alimentação, lembranças e nas tradicionais camisas do boi. Quando chega à ilha, a mala já tem cores definidas: vermelho e branco.
A jornalista Fernanda Medeiros, também de Manaus, frequenta o festival desde 2019. Neste ano, conseguiu reduzir os custos ao se hospedar na casa de amigos, mas destaca que a locomoção ainda representa uma das maiores despesas da viagem. Camisas, acessórios, produção para as festas, alimentação e transporte fazem parte do orçamento. “Vale muito vir a Parintins e torcer pelo Caprichoso”, afirma ela, que escolhei viver a experiência completa do festival.
Mais do que gastos, os torcedores encaram esses investimentos como uma forma de manter viva uma tradição que atravessa gerações. Para muitos, ser azul ou vermelho não tem preço. E, em Parintins, a paixão pelo boi se mede em emoção, memória e pertencimento.