
Plácido Melo, o tricicleiro que leva a magia de Parintins pelas ruas
Carismático, alegre e sempre com um sorriso largo no rosto, o tricicleiro Plácido Melo dos Santos, 64 anos, é daqueles personagens que só Parintins sabe criar. Hoje, ele já saiu às ruas com o triciclo que ganhou decoração nova com as cores dos bois Caprichoso e Garantido e foi batizado de “Comigo Vai Bem”.
O parintinense que ganha fama a cada ano, transforma o passeio em uma experiência inesquecível para quem visita a ilha, há mais de 20 anos. Seu triciclo, além de ser um meio de transporte para o sustento da família que mora no bairro da União, se transformou em uma extensão da sua criatividade e do seu amor pela cultura parintinense.
Com dedicação e capricho, Plácido enfeita cada detalhe do seu triciclo. Bandeiras, cores, os dois bois Caprichoso e Garantido, adereços e símbolos do Festival ganham vida em suas mãos, tornando seu veículo um dos mais bonitos e admirados da cidade.
Quem viaja com ele logo percebe que ali existe muito mais do que trabalho, existe paixão, alegria e simpatia.
Este ano, com a Copa do Mundo, veio a inspiração de colocar no triciclo bandeiras do Brasil, o mascote Endrick, em homenagem ao jogador brasileiro, além da capivara Filó. “Tenho certeza de que ele vai entrar para jogar e vai ser um fenômeno”, disse ele sobre o atacante brasileiro.
Conhecido pela simpatia com que recebe moradores e turistas, Plácido faz amigos por onde passa. Seu jeito simples, acolhedor e bem-humorado encanta quem tem a oportunidade de conhecê-lo. “No meu coração eu tenho muito orgulho de ser parintinense, orgulho do meu trabalho, de esperar todo ano esse período. Fico muito alegre mesmo, é uma agitação saudável”, conta.

O dono de um dos veículos mais bonitos e fotografados de Parintins revela um detalhe que emociona ainda mais sua história. Mesmo sendo um dos rostos que ajudam a receber e encantar os visitantes durante o festival, Plácido Melo nunca entrou no Bumbódromo para assistir ao espetáculo de dentro da arena.
Quando veio a pergunta, o sorriso entristeceu, mas rapidamente ele se recompôs e disse: “mas eu acredito que esse dia vai chegar”.
Enquanto os turistas ocupam as arquibancadas, ele permanece do lado de fora, trabalhando, sorrindo e conduzindo pessoas pelos caminhos da Ilha da Magia. Seu amor pelo festival não se mede pelo lugar que ocupa na plateia, mas pela dedicação com que apresenta Parintins a quem chega. “Eu também fico trabalhando muito, nesse período a gente fatura um dinheirinho. Uma média de
80 corridas na área central e pelos pontos turísticos. Diminuiu muito porque as carrocinhas e os veículos dukar aumentaram a concorrência”, explicou.
Apesar de nunca ter assistido ao festival de dentro do Bumbódromo, Plácido faz parte dele.
É um parintinense que, além de transportar passageiros, leva histórias, sentimentos, sorrisos e um pouco da magia de Parintins para todos que cruzam o seu caminho.
Texto: Peta Cid
Especial para Portal Marcos Santos
Fotos: Elinaldo Tavares