
Festival reúne meninas da Amazônia criadoras de games
Meninas de sete a 17 anos, estudantes da rede pública de ensino do Amazonas, irão apresentar jogos digitais e projetos autorais inspirados na cultura amazônica durante o festival “Futuro em Jogo: Elas Programam!”, que marca o encerramento da primeira edição do programa Manaós Tech Girls.
O evento acontece no próximo dia 9 de maio, das 13h às 18h, no Instituto Mariuá, localizado na avenida Efigênio Sales, zona centro-sul de Manaus.
Ao todo, cerca de 100 projetos desenvolvidos pelas alunas serão apresentados ao público, resultado de sete meses de formação em desenvolvimento de jogos digitais e introdução à tecnologia.
O programa foi promovido pela Manaós Tech for Kids e reuniu estudantes de Manaus e de municípios como Coari, Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo.
Segundo o CEO da escola, Glauco Aguiar, o objetivo do projeto vai além do ensino técnico.
“Queremos que essas meninas se reconheçam como protagonistas no mundo da tecnologia e da programação. Mais do que ensinar ferramentas, queremos abrir caminhos e fortalecer a confiança delas”, afirmou.
Os jogos criados pelas participantes abordam temas sociais, ambientais e culturais ligados à Amazônia, reunindo elementos da floresta, lendas regionais e preservação ambiental.
Uma das participantes é Janine Rebeca da Silva Figueiredo de Souza, de 14 anos, moradora de Manacapuru. Ela criou o jogo “Onara – A Guardiã da Floresta”, inspirado no combate ao tráfico de animais silvestres.
“No jogo, a personagem principal é uma onça-pintada que tenta libertar o irmão capturado por traficantes de animais”, explicou.
Janine contou que enfrentou dificuldades de infraestrutura durante o curso, utilizando um computador emprestado do avô e convivendo com frequentes quedas de energia elétrica.
Outra participante, Adriane Ramos de Souza, de 15 anos, desenvolveu o game “Naiály Irupé – O Chamado das Águas”, inspirado na lenda amazônica da Vitória-Régia.
No jogo, uma jovem indígena recebe a missão de proteger a floresta amazônica e restaurar rios afetados pela poluição.
“As lágrimas de Jaci ajudam a recuperar a floresta. No final, o jogador recebe a mensagem de que precisamos cuidar da natureza”, disse.
O Manaós Tech Girls recebeu mais de mil inscrições de 22 municípios do Amazonas e ofereceu formação gratuita nas modalidades presencial e online.
O programa contemplou:
– lógica de programação;
– desenvolvimento de jogos 2D e 3D;
– narrativa interativa;
– design digital;
– alfabetização tecnológica.
As aulas presenciais atenderam meninas de sete a 11 anos, enquanto a modalidade online foi voltada a adolescentes de 12 a 17 anos.
Segundo a professora Aline Ribeiro, muitas estudantes aprenderam programação usando apenas o telefone celular.
“A maioria teve dificuldade porque não tinha computador. Mesmo assim, elas conseguiram desenvolver projetos completos”, afirmou.
Já a professora Isabelly Dantas da Silva destacou o desenvolvimento da autonomia e da criatividade das alunas.
“Elas começaram a fazer perguntas, criar soluções e pensar tecnologia a partir da própria realidade”, disse.
Além da mostra de jogos, o festival contará com:
– palestras com mulheres da área de tecnologia;
– oficina de papercraft;
– atividades com caneta 3D;
– campeonato de cosplay;
– premiação para os melhores projetos.
Os jogos serão avaliados por critérios como criatividade, impacto e qualidade técnica.
O evento será fechado para participantes e familiares e busca celebrar a conclusão do ciclo de formação.
O projeto conta com apoio do Fundo Socioambiental CAIXA e da Artemisia, por meio do programa “Caixa: Desafio Mulheres em STEM”.
A iniciativa busca ampliar a presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, especialmente entre jovens da rede pública do Amazonas.
Mais do que um festival, o “Futuro em Jogo: Elas Programam!” simboliza uma experiência de inclusão digital, protagonismo feminino e transformação social por meio da tecnologia.
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