07/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Quase 5 mil pacientes sem identificação foram atendidos no Complexo Hospitalar Sul

Publicado em 30 de abril, 2026

Foto: Divulgação/CHS

Adriano Chaves, um homem que vivia em situação de rua em Manaus, reencontrou as irmãs nesta semana após receber atendimento no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, unidade que integra o Complexo Hospitalar Sul (CHS). O caso chama a atenção para o número de pacientes sem identificação que chegam às unidades de saúde.

Somente no CHS, foram registrados 4.978 atendimentos a pacientes classificados como Não Identificados (NID), desde dezembro de 2024.

Trata-se, em grande parte, de pessoas em situação de vulnerabilidade social, sem vínculos familiares ou em situação de rua, como Adriano, que deu entrada na unidade após sofrer uma queda de uma ponte no bairro São Jorge, onde relatou estar vivendo. Há também casos de pacientes que chegam sem documento oficial de identificação, muitas vezes por esquecimento.

Pós-atendimento

Um dos principais desafios nessas situações é o pós-atendimento. Sem referência familiar ou social, muitos pacientes não têm para onde ir, o que pode comprometer a continuidade do tratamento ou o acompanhamento ambulatorial.

O CHS ressalta que, nesses casos, o Serviço Social atua de forma estratégica para garantir não apenas a assistência hospitalar, mas também a identificação civil e o encaminhamento adequado após a alta.

De acordo com a supervisora psicossocial do CHS, Janaína Freitas, o processo tem início ainda durante a internação, com a tentativa de coleta de informações diretamente com o paciente. “A assistente social vai até o leito para buscar alguma informação. A partir dos relatos, a equipe tenta localizar familiares ou conhecidos. Quando não há dados suficientes, inicia-se uma busca ativa em sistemas oficiais”, explica.

Identificação

Entre as estratégias adotadas está a consulta ao Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS), que pode auxiliar na localização de vínculos familiares. Na ausência de informações, a equipe aciona o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), vinculado ao Ministério Público, que permite o cruzamento de dados para identificação.

Quando o paciente é identificado, a família pode ser acionada ou, dependendo da situação, os órgãos competentes. Há também casos em que o hospital apoia o processo de emissão de documentos civis, como o Registro Geral (RG), garantindo o acesso à cidadania.

Nos casos em que o paciente permanece sem identificação ou não possui condições de retorno ao convívio social, o Serviço Social articula encaminhamentos para a rede de apoio. O destino varia conforme o perfil do paciente, podendo incluir abrigos ou instituições de longa permanência, especialmente para idosos, mediante acionamento do Ministério Público.

A atuação do Serviço Social reforça o caráter integral da assistência prestada pela unidade, ao considerar não apenas o quadro clínico, mas também os fatores sociais que influenciam diretamente a recuperação e o destino do paciente após a alta.

Veja mais notícias em sem categoria

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.