11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MPF pede condenação de sete réus por ocultação dos cadáveres de Bruno e Dom

Publicado em 26 de março, 2026

Missão internacional retorna ao Vale do Javari para proteger indígenas e investigar caso Bruno e Dom

Fotos: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a condenação de sete réus por envolvimento na ocultação dos cadáveres do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados em junho de 2022, na região do Vale do Javari, no Amazonas.

As alegações finais foram encaminhadas à Justiça Federal em Tabatinga e marcam uma etapa decisiva do processo, que trata especificamente das ações para esconder os corpos das vítimas. O caso é distinto da ação penal que julga os homicídios e a atuação de organização criminosa.

Segundo o MPF, os acusados tiveram diferentes níveis de participação. Para Eliclei, Amarílio, Otávio e Edivaldo da Costa de Oliveira, foi solicitada condenação por corrupção de menor e por duas ocorrências de ocultação de cadáver. Já Francisco Conceição de Freitas responde por duas ocultações. Amarildo da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima devem responder apenas por corrupção de menor, crime com pena de um a quatro anos, pois já são réus pelo homicídio em outro processo.

O procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal destacou que a responsabilização foi individualizada, conforme a atuação de cada envolvido.

Um dos pontos centrais do processo é a participação de um adolescente, sobrinho de Amarildo, que foi utilizado na ação criminosa. De acordo com o MPF, ele é considerado vítima de corrupção de menores e não responde criminalmente, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram em 5 de junho de 2022, durante uma expedição na região para documentar a preservação da Amazônia e os conflitos envolvendo invasões em terras indígenas. Eles foram vistos pela última vez na comunidade São Rafael, antes de serem emboscados.

Com a entrega das alegações finais pelo MPF, o processo segue agora para a fase de manifestações da defesa. Após essa etapa, o juiz federal responsável deverá proferir a sentença. Não há prazo definido, mas o Ministério Público afirma que acompanhará o caso para garantir uma decisão em tempo razoável.

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