
Projeto financiado pelo CNPq reúne estudantes da rede pública em atividades de pesquisa e inovação, incentivando a participação feminina nas áreas de ciência e tecnologia. (Foto: Divulgação)
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) recebeu nesta semana uma nova turma de estudantes do ensino médio selecionadas para o projeto TriboGirls, iniciativa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que busca incentivar a participação feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês).
As seis alunas, todas do Colégio Estadual Barão de Mauá, em Duque de Caxias (RJ), passam a integrar o segundo grupo de bolsistas acompanhado pelo Inmetro. Durante o período de formação, elas terão contato direto com atividades de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, vivenciando o cotidiano de laboratórios e centros de investigação científica.
O projeto tem como objetivo reduzir desigualdades de gênero em áreas historicamente dominadas por homens, aproximando jovens estudantes da realidade da pesquisa científica e ampliando suas perspectivas acadêmicas e profissionais.
Segundo a agente de acompanhamento da gestão escolar da Coordenadoria Regional Metropolitana V da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Renata Bom, a iniciativa amplia horizontes para as participantes.
“Muitas vezes os jovens só conseguem sonhar com aquilo que conhecem. Quando elas entram em contato com um ambiente de pesquisa como este, descobrem profissões e áreas de atuação que nem imaginavam. Isso amplia horizontes e pode fazer toda a diferença na construção do futuro delas”, afirmou.
A programação inclui atividades práticas supervisionadas por pesquisadores do Inmetro, com foco no desenvolvimento do pensamento científico, da autonomia e da capacidade de resolução de problemas.
O chefe da Divisão de Metrologia de Materiais do Inmetro, Oleksii Kuznetsov, destacou a importância da experiência para despertar novas vocações.
“Este é um espaço onde a pesquisa se transforma em conhecimento aplicado. Espero que vocês aproveitem cada atividade para fazer perguntas, experimentar e perceber que a ciência também pode ser um caminho possível para o futuro de vocês”, disse.
As estudantes serão acompanhadas pelas pesquisadoras Márcia Maru e Vanessa Kapps, do Laboratório de Biomateriais e Tribologia (Labit), onde desenvolverão parte das atividades.
Para Márcia Maru, o projeto vai além da transmissão de conhecimento técnico.
“Queremos que essas meninas vivenciem a ciência na prática, conheçam o ambiente de pesquisa e percebam que elas também podem construir uma trajetória profissional nessas áreas. O projeto busca desenvolver autonomia, pensamento crítico e ampliar perspectivas para o futuro”, afirmou.
Já Vanessa Kapps ressaltou que a proposta permite que as participantes compreendam todas as etapas do processo científico.
“Mais do que aprender conceitos, elas vão viver o processo de fazer ciência. A proposta é que desenvolvam curiosidade, autonomia, responsabilidade e trabalho em equipe, entendendo que a ciência também pode ser um caminho possível para o futuro delas”, explicou.
Além das atividades de pesquisa, as estudantes conheceram setores que integram a rede de apoio do projeto dentro do Inmetro. Entre eles estão o Serviço de Segurança e Saúde Ocupacional (Sesao) e a Universidade Corporativa do Inmetro (Unimetro), responsável por apresentar oportunidades de formação técnica, graduação e pós-graduação oferecidas pela instituição.
No Laboratório de Biomateriais e Tribologia, as participantes terão contato com estudos relacionados a biomateriais, superfícies e próteses utilizadas na área da saúde, aproximando a pesquisa científica de aplicações práticas que impactam diretamente a vida da população.
A professora Danielle de Oliveira, do Colégio Estadual Barão de Mauá, avalia que a iniciativa já produz reflexos positivos dentro da escola.
“O projeto ajuda a disseminar a ciência e mostra que as meninas também podem ocupar esses espaços. A experiência da primeira turma despertou o interesse de outras alunas e fortaleceu ainda mais essa parceria entre a escola e o Inmetro”, destacou.
Ao final do ciclo, a expectativa é que as participantes atuem como multiplicadoras do conhecimento em suas escolas e comunidades, incentivando outras jovens a ingressarem em carreiras ligadas à ciência, tecnologia e inovação.
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