
Governos adotam medidas emergenciais para reduzir dependência energética e conter impacto no abastecimento (Foto: Divulgação)
A crise energética desencadeada pelos conflitos no Oriente Médio já provoca reflexos em diversos países da Ásia, que começam a adotar ações para restringir o consumo de petróleo e tentar reduzir os impactos no abastecimento.
Altamente dependentes do petróleo proveniente da região e do transporte pelo Estreito de Ormuz, países como Índia, Paquistão, Indonésia, Bangladesh e Filipinas passaram a implementar estratégias para diminuir a demanda pelo combustível.
Nas Filipinas, onde quase todo o petróleo utilizado é importado, o governo orientou a população a reduzir o uso de ar-condicionado e evitar viagens consideradas não essenciais. Também está em análise a possibilidade de adotar uma semana de trabalho com quatro dias, como forma de diminuir o consumo de energia e combustível.
Na Índia, a alternativa encontrada foi ampliar a compra de petróleo da Rússia. Já o Japão tem priorizado medidas de proteção aos consumidores diante da alta nos preços, enquanto a Tailândia busca novos fornecedores internacionais de petróleo e gás natural.
Diante do cenário de instabilidade no mercado global de energia, os Estados Unidos autorizaram, na quinta-feira (5), a entrega temporária de petróleo russo à Índia, mesmo sob o regime de sanções internacionais.
Segundo documento divulgado pelo Departamento do Tesouro norte-americano, a permissão terá validade até 3 de abril de 2026. A medida busca evitar uma pressão ainda maior no mercado global de petróleo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em publicação na rede social X que a autorização foi concedida para garantir o abastecimento mundial de energia.
De acordo com ele, a decisão tem caráter temporário e não deverá gerar ganhos financeiros expressivos para o governo russo, já que contempla apenas transações relacionadas a petróleo que já estava bloqueado em navios no mar.
Bessent acrescentou ainda que a venda para a Índia pode ajudar a reduzir a pressão no mercado provocada pela tentativa do Irã de controlar rotas estratégicas de energia.
O Departamento do Tesouro também destacou que a autorização não inclui petróleo de origem iraniana.
Desde 2022, os Estados Unidos, a União Europeia e países do G7 vêm aplicando sucessivos pacotes de sanções contra o setor petrolífero da Rússia, com o objetivo de limitar a capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia.
Apesar das restrições, a Índia manteve e até ampliou as compras de petróleo russo, adquirido com desconto em relação aos preços internacionais, tornando-se um dos principais destinos do produto, ao lado da China.
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