
Quilombo da Baixa da Xanda debate letramento e protagonismo
O Quilombo da Baixa da Xanda realizou, na tarde desta sexta-feira (30), o Fórum Permanente de Letramento Quilombola, na Casa da Cultura, em Parintins, com apoio do Boi Bumbá Garantido. O encontro reuniu lideranças quilombolas, pesquisadores e representantes de movimentos sociais em um espaço de diálogo, formação e fortalecimento das identidades quilombolas no município.
A iniciativa teve como objetivo ampliar o debate sobre os direitos das comunidades quilombolas, o reconhecimento institucional dos territórios e a valorização da memória e da ancestralidade negra, com foco no contexto amazônico e na realidade parintinense.
Entre os temas abordados estiveram a importância da certificação das comunidades quilombolas pela Fundação Cultural Palmares, as ações políticas e organizativas desenvolvidas pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e os direitos assegurados às comunidades quilombolas nos marcos legais brasileiros.
O coordenador geral do Quilombo da Baixa da Xanda e coordenador do Grupo de Trabalho de Patrimônio e Memória do Boi Garantido, Dé Monteverde, destacou o fórum como um espaço de reflexão sobre o território quilombola e sua construção coletiva, ressaltando que o quilombo não se restringe a um grupo específico de pessoas, mas se constitui como território vivo, construído de forma compartilhada, em profunda relação histórica e cultural com a Baixa da Xanda e com o próprio Garantido.
A agente do Quilombo da Baixa da Xanda e comentarista do Boi Garantido, Suzan Monteverde, enfatizou o letramento quilombola como ferramenta pedagógica voltada à formação e à conscientização sobre o racismo estrutural e sobre o significado de ser quilombola, destacando que, embora a identidade sempre tenha existido, o acesso às categorias e conceitos ainda gera dúvidas e exige processos educativos permanentes.
A programação contou com a participação de palestrantes convidados, entre eles Keilah Maria Silva Fonseca, da CONAQ; Alvatir Carolino da Silva, doutor em Antropologia, membro da Associação Brasileira de Antropologia e professor titular do Instituto Federal do Amazonas (IFAM); e Marcos Alan Costa, doutor em Antropologia Social, que contribuíram com reflexões sobre território, memória, cultura e direitos quilombolas.
Presente no evento, o historiador e compositor do Boi Garantido, Jorge Moraes, destacou o letramento quilombola como um processo de resgate da memória e da identidade negra, especialmente no Amazonas, onde, segundo ele, essas narrativas foram historicamente silenciadas, reforçando o protagonismo das populações quilombolas na construção de sua própria história.
O Fórum Permanente de Letramento Quilombola da Baixa da Xanda se consolida como mais um marco na construção da cidadania, da consciência histórica e da resistência cultural do território, que abriga parte fundamental da história do Boi Garantido e expressa a força ancestral do povo quilombola de Parintins.
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