
Foto: Pitter Freitas
O Bloco As Tiazinhas escolheu contar a própria história como enredo no Carnailha, celebrando 26 anos de existência com o tema “Do Sujo ao Luxo”. A proposta resgata a origem irreverente do grupo, nascido da brincadeira entre amigos que se reuniam para o esquenta do carnaval na esquina da Avenida Nações Unidas, e projeta a evolução do bloco até o patamar atual, marcado por organização, criatividade e identidade própria.
Ao longo de mais de duas décadas, a agremiação deixou de ser conhecida como bloco de sujo para se consolidar como uma das atrações tradicionais da festa. Hoje, essa trajetória é conduzida majoritariamente por mulheres, que ocupam funções estratégicas de gestão, criação e articulação cultural, reafirmando o protagonismo feminino dentro do carnaval parintinense.
A presidente Francyane Teixeira da Silva, a vice-presidente Keyse Maria Godinho Marinho e a tesoureira Kelly Sarmento de Souza lideram o bloco e coordenam os preparativos para o desfile. Segundo Francyane, a condução coletiva e familiar é um dos diferenciais das Tiazinhas. Ela destaca que o grupo mantém a irreverência como marca registrada, mesmo com a evolução estética e estrutural ao longo dos anos, e garante um desfile que preserva a essência do bloco.
A memória da fundação é lembrada por Zeildo Ramos, um dos integrantes históricos, que recorda os amigos que deram início à brincadeira e ajudaram a consolidar o bloco. Entre eles está Willen Nascimento, conhecido como Pleke, um dos fundadores, que atualmente atua na Escola de Samba Botafogo, da chave de acesso do Carnaval do Rio de Janeiro. Zeildo é o responsável pela criação do tripé alegórico do bloco, que começou como um triciclo decorado e evoluiu para um carro alegórico.
Ele ressalta que, mesmo nos períodos de poucos recursos, a criatividade sempre foi o principal instrumento do bloco. Com o passar dos anos e o apoio institucional, especialmente da Prefeitura de Parintins, a estrutura melhorou, mas o desafio segue sendo manter o padrão irreverente que caracteriza as Tiazinhas desde o início.

Foto: Pitter Freitas
A trilha sonora do enredo também nasce da memória afetiva do grupo. Euler Nascimento, compositor da marchinha, explica que a música traduz a transformação do bloco ao longo do tempo. Ele relembra os tempos em que a folia era marcada pela maisena, pelas fantasias improvisadas e pela estética do bloco de sujo, contrastando com a fase atual, em que brilhos, tecidos e materiais modernos simbolizam o “luxo” conquistado.
Segundo Euler, o trabalho para colocar o bloco na avenida acontece ao longo de todo o ano. Parte dos recursos é arrecadada em atividades realizadas durante o Festival de Parintins, quando o grupo monta uma barraca para financiar as fantasias e alegorias. O apoio público, quando chega, é utilizado para concluir os preparativos e garantir a participação no Carnailha.
Com o enredo “Do Sujo ao Luxo”, o Bloco As Tiazinhas transforma sua própria trajetória em narrativa carnavalesca, reafirmando a força da cultura popular, da memória coletiva e do protagonismo feminino no carnaval de Parintins.
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