
América Latina registra aumento de 600% nas fraudes em um ano, e Brasil lidera ranking de países mais afetados. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)
Mais de 51% dos brasileiros foram vítimas de algum tipo de golpe digital em 2024, segundo um relatório global da empresa de segurança comportamental BioCatch, divulgado nesta sexta-feira (5). A pesquisa, obtida com exclusividade pela CNN Brasil, mostra que o país é o mais atingido da América Latina — região que teve o maior salto mundial em crimes digitais, com crescimento de 600% entre 2024 e 2025.
No Brasil, os golpistas se aproveitaram principalmente de meios de pagamento instantâneo: só em fraudes envolvendo Pix, as perdas chegaram a R$ 4,9 bilhões no período analisado.
Segundo o estudo, a América Latina concentra os piores indicadores globais. Entre as práticas mais comuns estão:
Smishing — envio de SMS com links falsos para roubo de dados;
Vishing — ligações telefônicas que pressionam a vítima a entregar informações sensíveis.
No Brasil, o smishing aumentou 14 vezes em um ano, enquanto fraudes com deepfakes — vídeos e áudios manipulados digitalmente — cresceram impressionantes 830%.
O relatório também mapeia aumentos significativos em outros tipos de golpe ao redor do mundo:
+14% em fraudes de compra;
+100% em golpes de voz (vishing);
+63% em fraudes de romance;
+42% em golpes de investimento.
A pesquisa alerta ainda para o avanço das chamadas fraud factories: cidades inteiras no Camboja onde pessoas traficadas são mantidas em regime de trabalho forçado para aplicar golpes online em escala industrial.
Erin West, fundadora da Operation Shamrock e uma das autoras do estudo, afirma ter encontrado no país “colônias penais dedicadas à fraude”.
“O Camboja representa o crime organizado em escala transnacional e industrial. Não é mais algo que acontece nas sombras”, disse.
Segundo o relatório, essa estrutura criminosa começa a migrar para a América do Sul, o que acende um alerta para as autoridades da região.
Com golpes cada vez mais sofisticados e executados em larga escala, o estudo reforça que governos e empresas de tecnologia precisarão ampliar esforços em educação digital, autenticação reforçada e rastreamento financeiro para conter a escalada dos crimes online.
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