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A tarde deste sábado (29), no Estádio Monumental de Lima, será de sentença: Palmeiras e Flamengo decidem a Libertadores 2025, e o vencedor se tornará o primeiro clube brasileiro tetracampeão do torneio continental. A mesma Lima que viu o Flamengo campeão em 2019 agora recebe duas equipes que conhecem bem decisões — e que chegam para um confronto onde a história costuma não perdoar distrações.
O Palmeiras chega à sua sétima final (1961, 1968, 1999, 2000, 2020, 2021 e 2025) e já soma três títulos: 1999, 2020 e 2021.
O Flamengo faz sua quinta decisão (1981, 2019, 2021, 2022 e 2025), também com três conquistas: 1981, 2019 e 2022.
Uma vitória neste sábado definirá o primeiro brasileiro tetracampeão.
Ao longo de 114 jogos oficiais, o duelo é totalmente equilibrado: 40 vitórias para cada lado e 34 empates. O saldo de gols favorece levemente o Flamengo: 172 a 169.
Nada mais apropriado para uma final única.
O Palmeiras chegou com a melhor campanha da fase de grupos: seis vitórias e 17 gols marcados. Cresceu ainda mais na semifinal, quando goleou por 4 a 0 para garantir lugar na decisão.
O Flamengo fez caminho mais turbulento: classificou-se apenas na última rodada do grupo, mas fortaleceu-se nos mata-matas, eliminando Racing e avançando com autoridade.
Palmeiras: Carlos Miguel; Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Murilo; Khellven, Andreas Pereira, Allan e Piquerez; Flaco López e Vitor Roque.
Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta; Luiz Araújo, Carrascal e Bruno Henrique.
Desfalques do Flamengo: Pedro (lesionado) e Gonzalo Plata (suspenso).
A final também reserva uma história que o futebol parece escrever de propósito. Andréas Pereira, hoje o principal articulador do Palmeiras, reencontra justamente o Flamengo na mesma competição em que viveu o momento mais traumático da carreira. Em 2021, vestindo a camisa rubro-negra, escorregou ao tentar dominar uma bola na prorrogação da final; Deyverson, atacante do Verdão, aproveitou o erro, marcou o gol e deu ao Palmeiras o título daquela edição.
Depois daquele episódio, Andréas passou anos reconstruindo a carreira na Europa, tornou-se jogador de alto nível e optou por vestir a camisa da seleção brasileira — para a qual já foi convocado — renunciando à belga, país onde nasceu. O Palmeiras o contratou no início da temporada e ele se transformou rapidamente em destaque absoluto da equipe. Hoje, em Lima, Andréas enfrenta o clube que marcou seu passado e tenta reescrever o próprio destino com a mesma camisa verde que o viu campeão, mas agora como protagonista.
A mobilização para a final produziu episódios que só o futebol continental explica:
– Um voo que partia de Buenos Aires com destino a Lima teve a decolagem cancelada depois que passageiros começaram a gritar “Flamengo!” e “Palmeiras!” dentro da aeronave, batendo nas janelas e nas paredes, até que a tripulação considerou inseguro prosseguir.
– Em Lima, um padre antecipou em uma hora a missa de sábado para que os fiéis pudessem acompanhar a final. Ele instalou um telão do lado de fora da igreja para a torcida rubro-negra assistir ao jogo e pediu serenidade aos palmeirenses presentes, lembrando que estariam “na casa de Deus”, mesmo em dia de decisão.
Com históricos robustos, elencos milionários e trajetórias diferentes na competição, Palmeiras e Flamengo chegam ao Monumental de Lima para muito mais do que uma final: disputam o posto de maior protagonista brasileiro da Libertadores no século.
Quem levantar a taça hoje entra para a história — e também para a eternidade sul-americana.
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