
Os aniversários de Manaus e Parintins, do Teatro Amazonas e da Catedral de NS do Carmo, são um bom pretexto para mostrar que as duas cidades têm muito em comum. Ilustração feita por IA
Outubro é mês de festa dupla no coração do Amazonas. De um lado, Parintins, a Ilha dos Bumbás, das cores e da poesia, que completou 173 anos no dia 15. Do outro, Manaus, a metrópole da floresta, se preparando para celebrar 356 anos no dia 24. Duas cidades irmãs, diferentes em tamanho, mas iguais na alma de quem aprendeu a viver cercada de rios e a transformar o cotidiano na arte da sobrevivência.
Parintins nasceu com cheiro de rio e som de tambor. É cidade que acorda com canto de passarinho e dorme embalada pelo murmuro do rio Amazonas. Cada rua tem uma história, cada esquina um ritmo. Ali, o tempo não se mede em horas, mas em batidas de toada. Há quem diga que a Ilha não é apenas um lugar, mas uma paixão que nasceu lá atrás, recomeça em junho, no Bumbódromo, e nunca termina.
Manaus, por sua vez, carrega o peso e o brilho de uma capital que aprendeu a ser moderna sem perder o encanto. Cresceu entre o Teatro Amazonas e o Encontro das Águas, vivendo hoje no agito das fábricas, ouvindo o canto dos pássaros. É cidade que respira história e futuro, com o cheiro típico do látex e o ruído das startups da Zona Franca.
Ambas compartilham uma herança que vai além da geografia. São cidades de resistência, que aprenderam a florescer sobre as águas, a reinventar-se diante das crises e a acolher quem chega com um sorriso de quem conhece o valor da vida simples.
Prefeito e ex-prefeito de Parintins, Mateus Assayag e Bi Garcia, são dois curumins que compartilham a paixão desenfreada pela Ilha Tupinambarana. Bi iniciou a modernização da cidade, deixando-a com mais ginásios poliesportivos, cobertos e iluminados, que a própria capital. Mateus, neste sábado (18/10), inaugurou a Casa da Cultura, um sonho nascido na década de 1980, que desafiou administrações e agora está prontinha. Ela significa, simplesmente, que acabou o desperdício de talento e dinheiro das fantasias suntuosas dos bumbás que iam parar no lixo ou, no máximo, num apartamento manauara de luxo. Agora elas têm endereço para ficar.
Em Manaus, o prefeito David Almeida avança na construção do Mirante Encontro das Águas Rosa Almeida. A concepção, fruto da ousadia e visão do atual presidente do Implurb, Carlos Valente, na gestão Serafim Corrêa (2005-2008), desafiou administrações. A única obra de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, o Oscar Niemeyer, na Região Norte, só agora virá à luz.
A Casa da Cultura e o Mirante Encontro das Águas são traços de união Parintins-Manaus. Carregam esperança, no simbolismo das coisas simples que fazem bem à alma e vão sendo deixadas para trás, como a própria memória afetiva das cidades.
Parintins ensina o encanto; Manaus, a força. Uma dança, a outra pega o ritmo e as duas se completam como o encontro do Negro com o Solimões. A primeira vibra no compasso do boi; a segunda pulsa na cadência da cidade grande. Juntas, desenham a identidade do Amazonas, feita de fé, trabalho, arte e uma alegria que não se explica, só se sente.
Quando o sol se põe esplendoroso no rio Amazonas, no muro de arrimo do Comuna’s, e as luzes do Teatro se acendem, no Largo de São Sebastião, parece que as duas se olham e se reconhecem. Uma, pulsando em magia. A outra, grandiosa e plural. E ambas têm o mesmo coração: o do povo amazônida, generoso, criativo, teimosamente esperançoso.
Neste outubro de aniversários, o Amazonas celebra mais que datas, celebra a própria alma. Parintins e Manaus são como versos de uma mesma canção, duas margens de um mesmo rio. E o que as une é o que também define a Amazônia, a força de quem sabe recomeçar todos os dias, com um remo, uma canoa, um sorriso e um sonho.
Pode demorar, mas a gente chega lá. Feliz aniversário, Parintins e Manaus.
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