
Lago do Jurará (foto) tem paisagens belíssimas e estruturas que atraem os tucunarés, mas os predatores estão dizimando cardumes. Foto: Divulgação/Comunitários do Lago do Jurará
Moradores do Lago do Jurará, afluente do Lago do Mamori, em Careiro Castanho, denunciaram o abate de grandes tucunarés por ocupantes de uma embarcação identificada como “lancha preta”. A prática, segundo relatos, teria resultado na captura e morte de diversos exemplares de tucunarés de grande porte, espécie protegida pela legislação estadual.
O ato contraria a Lei Estadual nº 7.208, de 28 de novembro de 2024, que proíbe o abate de tucunaré-açu (Cichla temensis), tucunaré-vazuleri (Cichla vazoleri) e tucunaré-pinima (Cichla pinima) em todo o território do Amazonas. A norma tem como objetivo preservar as espécies e fortalecer a pesca esportiva, uma importante atividade econômica e turística para comunidades ribeirinhas.
De acordo com os comunitários, os tripulantes da lancha são conhecidos por capturar peixes com o uso de iscas vivas — prática que “vicia” o tucunaré, dificultando o trabalho dos praticantes da pesca esportiva, que utilizam iscas artificiais e devolvem o peixe à natureza após o registro fotográfico. “O pescador esportivo é bem-vindo, mas com os grandes peixes rareando, o sucesso da pesca está cada vez mais difícil. Chegará o momento em que o lago será só lembrança dos bons tempos, com esse abate ilegal”, relatou um morador que preferiu não se identificar.
Segundo as denúncias, os pescadores ilegais teriam se hospedado em uma pousada da região, identificada como “Anaconda”. Moradores afirmam que, em outras ocasiões, a mesma lancha teria deixado o local com “caixas e caixas” de tucunarés abatidos. “Agora eles estão vendo a dificuldade, mas parece que querem raspar o que ainda resta de peixe no lago. Isso é irracional e criminoso”, lamentou outro comunitário.
Os moradores pedem que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) investigue o caso e puna os responsáveis, como já ocorreu em outras regiões onde foram registradas práticas semelhantes. A preocupação é crescente, já que o tucunaré — símbolo da pesca esportiva na Amazônia — vem diminuindo em número, comprometendo tanto a alimentação local quanto o turismo que garante renda às comunidades do entorno.
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