
Focos de calor no Amazonas atingem menor patamar desde 2011
O Amazonas registrou, em agosto de 2025, 1.842 focos de calor, segundo monitoramento do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) com base em dados do Inpe. O número representa uma queda de 82% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram registrados 10.328 focos, e é o menor índice para o período desde 2011.
O desmatamento também caiu: de 52,2 mil hectares em agosto de 2024 para 15,7 mil hectares neste ano, redução de quase 70%.
Os números são positivos, mas especialistas e órgãos ambientais alertam que a situação exige vigilância permanente. Historicamente, setembro é o mês mais crítico, quando agricultores familiares recorrem à queima da vegetação para abrir áreas de plantio, especialmente de mandioca, base para farinha, tapioca, biju, tucupi, tarubá e outros alimentos tradicionais.
Foi justamente nesse período que a Região Metropolitana de Manaus e municípios próximos ficaram cobertos por intensa fumaça em anos anteriores, afetando a qualidade do ar e a saúde da população.
Mesmo com a queda geral, Apuí concentrou 416 focos de calor em agosto, seguido de Novo Aripuanã (269) e Humaitá (210). Já no ranking do desmatamento, os maiores registros de área derrubada ocorreram em Manicoré (2.228 hectares), Novo Aripuanã (2.034 hectares) e Lábrea (1.889 hectares).
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, credita os números ao trabalho integrado do Comitê Permanente de Enfrentamento aos Eventos Climáticos. Já o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, destacou que o monitoramento permite direcionar ações contra crimes ambientais nas áreas mais críticas.
Segundo a coordenadora do CMAAP, Priscila Carvalho, o acompanhamento diário aliado a ações preventivas tem sido decisivo. Os dados são atualizados no Painel do Clima (www.paineldoclima.am.gov.br), plataforma que reúne informações sobre queimadas, desmatamento, cheias, secas e qualidade do ar.
Diante do quadro otimista em agosto, a expectativa da sociedade é por vigilância cada vez mais intensa em setembro, de forma a evitar a repetição de crises ambientais que já marcaram a região. Para especialistas, o desafio é consolidar as reduções e impedir que a fumaça volte a comprometer a saúde da população e o equilíbrio ambiental do Amazonas.
