06/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Polícia Penal assume vigilância da casa de Bolsonaro em prisão domiciliar

Publicado em 30 de agosto, 2025

Polícia Penal assume vigilância da casa de Bolsonaro em prisão domiciliar

Monitoramento deixou de ser feito pela PF após parecer da PGR sobre risco de fuga do ex-presidente. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Desde que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou “risco concreto de fuga” de Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília com tornozeleira eletrônica, o monitoramento na residência do ex-presidente, feito pela Polícia Penal do Distrito Federal, foi reforçado. A medida acontece às vésperas do julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe.

Os agentes penais são responsáveis por garantir o cumprimento da pena de Bolsonaro por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da própria Polícia Federal (PF) e da PGR. Neste sábado (30/8), Moraes determinou que os agentes penais monitorem de forma presencial a área externa da residência.

A razão para a PF “abrir mão” da custódia e passar a responsabilidade para a Polícia Penal reside na lógica da atribuição e da especialização de cada força policial.
A PF, como polícia judiciária, foca seu trabalho em grandes investigações de crimes federais, combate ao terrorismo, tráfico internacional e crimes contra o patrimônio da União, com a missão de investigar e desarticular organizações criminosas complexas. A vigilância de uma prisão domiciliar não se alinha com essas atribuições investigativas.

Nesse cenário, a Polícia Penal se encaixa na exigência de monitoramento de medidas de restrição de liberdade.

Execução penal

Já a Polícia Penal — como prevê a Constituição Federal — é uma força policial com foco específico: a execução penal. Ela também atua além dos muros das penitenciárias, estendendo suas atribuições ao apoiar diretamente o Poder Judiciário em diligências envolvendo o cumprimento de mandados de prisão.

A força policial segue, ainda, protocolos específicos para situações de custódia e vigilância, que demandam um acompanhamento contínuo e técnico, caso de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Gilberto Silva, vice-presidente do Sindicato da Polícia Penal de São Paulo (Sinppenal), afirmou que a equipe é “treinada para lidar com a complexidade da execução penal, seja dentro de um presídio ou no monitoramento de uma prisão domiciliar”.

“Risco concreto de fuga”

Quanto às chances de fuga do ex-presidente Bolsonaro, a decisão de acionar a Polícia Penal foi motivada por uma alegação das próprias PF e PGR sobre o “risco concreto de fuga” do ex-mandatário.

A PF mencionou a possibilidade de Bolsonaro buscar refúgio em embaixadas ou asilo em outros países. Essa preocupação, somada à proximidade do julgamento do ex-presidente, reforça a necessidade de um monitoramento técnico e especializado.

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