
Caprichoso aprova contas dos exercícios que mais arrecadaram em toda a história do bumbá. Fotos: Assessoria Caprichoso
O Boi Caprichoso aprovou por unanimidade as contas do exercício de agosto de 2024 a julho de 2025, em assembleia realizada nesta quarta-feira (27/08), no curral Zeca Xibelão. O balanço financeiro registrou movimentação de R$ 24,9 milhões e superávit de pouco mais de R$ 105 mil, sob gestão do presidente Rossy Amoedo e do vice Diego Mascarenhas.
O número impressiona por si só, mas precisa ser analisado dentro de um contexto maior: os bois-bumbás de Parintins nunca movimentaram tanto dinheiro em mais de cem anos de história.
Em 2023, o Caprichoso arrecadou cerca de R$ 12 milhões. No ano seguinte, o montante saltou para R$ 18 milhões. Agora, em 2025, a soma ultrapassou a marca de R$ 24 milhões, mesma quantia de recursos destinados ao Garantido. Ou seja: em apenas três anos, a receita praticamente triplicou.
Esse salto financeiro não é apenas resultado de maior visibilidade cultural ou de patrocínios privados. Ele se deve, sobretudo, ao volume inédito de repasses públicos, que se tornaram decisivos para a sustentação e a grandiosidade dos espetáculos.
O dado coloca um desafio histórico para os bois: como justificar tanto dinheiro diante de problemas crônicos que permanecem sem solução? A precariedade estrutural, a falta de planejamento de longo prazo e a dependência quase absoluta de verbas públicas seguem sendo marcas preocupantes.
O Caprichoso aprova contas, com superávit de pouco mais de R$ 100 mil, num universo de quase R$ 25 milhões movimentados, mostrando que a folga orçamentária é mínima, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade futura, caso haja redução nos repasses governamentais.
É legítimo que torcedores celebrem os espetáculos cada vez mais sofisticados na arena. Mas o registro crítico precisa ser feito: nunca os bois receberam tanto, e nunca se exigiu tão pouco em contrapartidas sociais, culturais e de transparência para a comunidade de Parintins.
Passado o êxtase da festa, fica a pergunta: onde estão as políticas estruturantes para garantir que esse dinheiro se traduza em legado permanente? Que benefícios concretos ficam para os artistas, para os trabalhadores que constroem os galpões e para a população que sustenta a cultura ao longo do ano?
Mais que números em assembleias ou superávits simbólicos, os bois vivem hoje o desafio de provar que conseguem transformar recursos recordes em um futuro sólido. Do contrário, a abundância momentânea pode se revelar apenas um espetáculo de fumaça.
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