19/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Exportação de carne bate recorde com alta para a China e queda nas vendas aos EUA

Publicado em 16 de agosto, 2025

Exportação de carne bate recorde com alta para a China e queda nas vendas aos EUA

Mato Grosso do Sul bateu recorde de exportação de carne bovina em julho de 2025, apesar do tarifaço do presidente Donald Trump, da paralisação de frigoríficos e da suspensão de abates destinados ao mercado norte-americano.

Exportação

O estado exportou 22,5 mil toneladas de carne bovina no mês passado, alta de 22,9% em comparação com julho de 2024, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).

O valor das exportações também cresceu. Em julho de 2025, Mato Grosso do Sul faturou cerca de US$ 124 milhões com a venda de carne ao exterior — um aumento de 52% em relação aos US$ 81 milhões registrados no mesmo mês do ano passado.

O desempenho do estado acompanha a tendência nacional. As exportações brasileiras de carne bovina também atingiram recorde para um único mês.

O resultado ainda não reflete o impacto do tarifaço de 50% imposto pelo presidente americano Donald Trump, já que essa taxa começou a valer apenas no dia 6 de agosto. Entretanto, a sobretaxa de 10% passou a valer em abril.

China e EUA: principais destinos

Os Estados Unidos ainda são o segundo principal destino da carne bovina de Mato Grosso do Sul, atrás apenas da China. No entanto, as vendas para os norte-americanos vêm caindo ao longo de 2025, enquanto o mercado chinês continua em expansão. Veja a diferença nos acumulados exportados aos países:

CHINA

Abril – US$ 46 milhões

Maio – US$ 43 milhões

Junho – US$ 70 milhões

Julho – US$ 74 milhões

ESTADOS UNIDOS

Abril – US$ 34 milhões

Maio – US$ 19 milhões

Junho – US$ 14,6 milhões

Julho – US$ 14,1 milhões

Exportações

As exportações para a China mais que dobraram. Em julho de 2025, foram enviadas 13 mil toneladas de carne bovina, frente às 6 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2024 — aumento de 116%.

Já as exportações para os Estados Unidos caíram. Em julho de 2025, foram embarcadas 2,7 mil toneladas, contra 4 mil toneladas no mesmo período de 2024 — queda de 35%.

Parceiro comercial

Em julho, México foi o 3º maior parceiro comercial para compra de carne bovina de Mato Grosso do Sul, com US$ 6,5 milhões comprados. O Chile, com US$ 3,9 milhões, ficou em 4º lugar.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), até 2023, o México não aparecia nem entre os 20 maiores clientes do país. Mas, com a abertura de mercado naquele ano, as compras começaram a crescer.

Paralisação de frigoríficos

Em 15 de julho, frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspenderam a produção de carne destinada aos Estados Unidos após Trump anunciar tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros. Desde então, as produções foram remanejadas para atender outros mercados no exterior.

Segundo o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems), Alberto Sérgio Capucci, a paralisação, voltada apenas ao mercado norte-americano, foi uma medida logística para evitar o acúmulo de estoques de carne que não seriam vendidos.

Taxação

Com a nova taxação, as exportações para os EUA se tornaram financeiramente inviáveis. Pelo menos quatro frigoríficos no estado interromperam a produção voltada ao mercado americano, segundo o sindicato. São eles:

Em 2025, a carne bovina desossada e congelada foi o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, somando 45,2% do total e movimentando mais de US$ 142 milhões, de acordo com a Fiems.

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