
Foto: Divulgação/PC-AM
Três policiais militares e um guarda municipal foram detidos neste sábado (26/7), em decorrência de denúncias de que teriam estuprado uma indígena da etnia Kokama no município de Santo Antônio do Içá, interior do Amazonas. A vítima, mantida em detenção irregular por nove meses, relatou ter sofrido os abusos durante esse período, enquanto estava acompanhada de seu bebê.
As prisões foram confirmadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), que apresentou uma denúncia formal contra os suspeitos. O pedido foi prontamente acatado pela Justiça do Amazonas, com a decisão proferida em menos de 24 horas após a solicitação do MPAM.
Informações fornecidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPAM indicam que outros dois policiais militares, um de férias e outro em missão, deverão se entregar às autoridades nas próximas horas.
Os mandados de prisão foram executados por equipes das Polícias Civil e Militar em diferentes localidades, incluindo Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá, onde os suspeitos ainda exerciam suas funções. As prisões foram solicitadas na tarde de sexta-feira (25/7), como parte do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pela Procuradoria-Geral de Justiça, e foram deferidas pelo juiz Édson Rosas.
Dos policiais já detidos, um estava em Tabatinga, um em Manaus e outro em Santo Antônio do Içá, local onde o guarda municipal também foi preso. Os dois policiais restantes, cuja entrega é esperada, encontram-se em Tabatinga.
No pedido de prisão preventiva, o MPAM justificou a medida com base no risco à ordem pública, à integridade da vítima, à conveniência da instrução penal e à possibilidade de reiteração criminosa por parte dos acusados. Adicionalmente, o MPAM solicitou o afastamento dos denunciados de suas funções públicas e a suspensão do porte de armas, em conformidade com o artigo 254 do Código de Processo Penal Militar.
Em depoimento prestado na sexta-feira (25/7), às promotoras de Justiça Priscila Pini e Lilian Nara, a vítima confirmou os abusos sofridos. Além disso, ela detalhou atos de humilhação, tortura e intimidação supostamente praticados pelos agressores. A vítima também relatou que, após sua transferência para a Cadeia Pública Feminina de Manaus, policiais militares teriam se dirigido à residência de sua mãe, em Santo Antônio do Içá, para proferir ameaças, em uma aparente tentativa de silenciar a vítima e sua família.
O processo criminal referente ao caso tramita em segredo de Justiça, medida adotada para assegurar a segurança da mulher e garantir a integridade da apuração dos fatos.
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