18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tarifas dos EUA devem ter efeito indireto sobre a Zona Franca de Manaus, avaliam entidades

Publicado em 18 de julho, 2026

Setor produtivo considera que impacto direto sobre o Polo Industrial será limitado, mas alerta para possíveis reflexos no câmbio, nos custos de produção e na economia brasileira. (Foto: Reprodução)

Representantes do setor produtivo do Amazonas avaliam que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tendem a provocar efeitos limitados na Zona Franca de Manaus (ZFM). A principal preocupação está relacionada aos impactos indiretos da medida, como a valorização do dólar, o aumento do custo de insumos importados e a instabilidade econômica.

O governo norte-americano anunciou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, mas manteve uma lista de exceções com cerca de 2,1 mil itens, entre eles carne, café, laranja e componentes destinados à indústria aeronáutica.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o comércio entre a Zona Franca de Manaus e os Estados Unidos é amplamente favorável aos norte-americanos. Até junho deste ano, o polo industrial importou cerca de US$ 625 milhões em produtos do país, enquanto as exportações somaram US$ 35,3 milhões.

Com esse cenário, a secretaria considera que uma eventual disputa comercial tende a produzir efeitos diretos reduzidos sobre a economia amazonense, uma vez que as importações provenientes dos Estados Unidos superam em cerca de 17 vezes o volume exportado pela Zona Franca.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, destacou que o Polo Industrial de Manaus é voltado principalmente para abastecer o mercado interno brasileiro, fazendo com que as exportações para os Estados Unidos representem apenas uma pequena parcela do faturamento das empresas instaladas no modelo.

Segundo ele, a maior preocupação está na possibilidade de valorização contínua do dólar, o que elevaria os custos de importação de matérias-primas e componentes utilizados pela indústria instalada no Amazonas. Para o dirigente, o impacto final dependerá das medidas adotadas pelo governo brasileiro e da evolução das relações comerciais entre os dois países.

Na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), o aumento das tarifas pode gerar dificuldades para diversos segmentos econômicos, com reflexos sobre custos de produção, preços ao consumidor e nível de emprego. A entidade defende que o setor produtivo busque alternativas para minimizar os efeitos da medida e preservar a atividade econômica.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha os desdobramentos da decisão do governo norte-americano, mas considera prematuro estimar os impactos efetivos sobre o Polo Industrial de Manaus. O órgão ressalta que os efeitos dependerão da regulamentação definitiva das tarifas, dos produtos atingidos, das exceções previstas e das eventuais medidas adotadas pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos.

A autarquia também destacou que a maior parte da produção do Polo Industrial é destinada ao mercado interno. Ainda assim, empresas integradas às cadeias globais de fornecimento ou que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos poderão enfrentar impactos indiretos relacionados ao custo de insumos, à reorganização do comércio internacional e às decisões de investimento.

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