
Deputado pode perder cargo por faltas, mas PL tenta manobra no regimento para mantê-lo elegível. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A Câmara dos Deputados está apostando numa “estratégia Brazão” para lidar com o futuro de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A tática envolve adiar ao máximo qualquer decisão formal sobre a possível perda de mandato do deputado, que está no centro de uma crise política e judicial.
Segundo apuração da CNN, a Mesa Diretora pretende empurrar a situação com a barriga até que a Constituição obrigue uma ação definitiva. Nesse meio tempo, Eduardo seguiria como parlamentar, mesmo ausente do país e acumulando faltas.
O modelo que inspira a movimentação é o que foi adotado no caso do ex-deputado Chiquinho Brazão, que perdeu o mandato em abril deste ano após se ausentar de um terço das sessões legislativas. A cassação dele não foi votada em plenário, mas sim declarada automaticamente pela Mesa após o excesso de faltas.
Nos bastidores, parlamentares dizem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não tem pressa para mexer no regimento ou acelerar qualquer processo contra Eduardo Bolsonaro. A oposição até tenta forçar uma votação, mas encontra resistência.
Enquanto isso, o PL articula mudanças no regimento interno para proteger Eduardo e estuda saídas para mantê-lo elegível, mesmo que perca o mandato. O partido ainda espera que o deputado retorne ao Brasil ou que o cenário mude até o fim do ano, evitando um desfecho mais drástico.
Caso a perda do mandato se confirme via excesso de faltas, Eduardo Bolsonaro não seria considerado cassado, o que permitiria a ele disputar futuras eleições — uma brecha política que pode manter viva sua carreira eleitoral, mesmo em meio ao turbilhão.