12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Vacina brasileira contra gripe aviária em humanos aguarda fase de testes

Publicado em 04 de abril, 2025

Vacina brasileira contra gripe aviária em humanos aguarda fase de testes

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a primeira vacina brasileira contra a gripe aviária em humanos entrará na fase de testes clínicos após autorização da Anvisa. Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo participarão do estudo, que recrutará 700 voluntários divididos entre dois grupos etários (18-59 anos e 60+). Liderada pelos pesquisadores da Fiocruz Pernambuco e do Plátano Centro de Pesquisas Clínicas, Rafael Dhalia e Carlos Brito, a iniciativa avaliará segurança e eficácia imunológica da nova vacina.

Os participantes receberão duas doses da vacina ou do placebo, com intervalo de 21 dias entre as aplicações. Apenas 1 em cada 7 voluntários receberá o placebo. Durante os sete meses seguintes, os participantes serão acompanhados com visitas e exames para avaliar a segurança e a eficácia imunológica do imunizante. O Estudo Clínico será conduzido no Plátano Centro de Pesquisas Clínicas.

Testes

Os testes incluirão ainda uma triagem inicial com exames bioquímicos, hematológicos e sorológicos que serão realizados no Real Hospital Português, e análise de imunidade celular da vacina, que será conduzida na Fiocruz Pernambuco.

“A vacina em teste se apresenta como uma possível ferramenta para a criação de anticorpos eficazes contra a gripe aviária, funcionando como um pilar preventivo para evitar uma nova crise pandêmica”, explica Dhalia. O pesquisador destaca ainda a importante contribuição dos voluntários no desenvolvimento de um imunizante com potencial de salvar vidas no futuro.

Os interessados em realizar a pré-inscrição devem acessar o link: https://forms.office.com/r/kBXB5misc4 .

Sobre a gripe aviária

Especialistas de todo o mundo alertam para o risco de disseminação de novas variantes do vírus da gripe aviária, como o H5N1, H5N8 e H7N9, que ganharam destaque por seu alto potencial de letalidade e capacidade de mutação. Desde 2021, esses vírus causaram a morte de 300 milhões de aves e impactaram 315 espécies silvestres em 79 países, segundo dados globais.

Em humanos, embora ainda sejam raros, os casos chamam a atenção pela gravidade: entre 2003 e 2024, houve 954 infectados em 24 países, com 464 mortes — uma taxa de letalidade de 48,6%, significativamente mais alta que a registrada durante a pandemia de covid-19, de menos de 1%.

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