
A decisão de Mendes se baseia na suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que havia conduzido o processo contra Dirceu (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (28) anular todas as condenações de José Dirceu (PT) no âmbito da operação Lava Jato. Com essa decisão, o ex-ministro da Casa Civil de Lula deixa de cumprir penas que somavam 23 anos de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão foi divulgada pelo colunista da CNN, Teo Cury.
A decisão de Mendes se baseia na suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que havia conduzido o processo contra Dirceu, e amplia o entendimento já aplicado no caso do tríplex do Guarujá (SP), em que Moro também foi considerado suspeito. Essa mesma suspeição beneficiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anteriormente condenado nesse processo.
Ao atender ao pedido da defesa de Dirceu, Mendes justificou que a anulação das condenações não se trata de uma medida geral aplicável a outros investigados da Lava Jato, mas sim de uma ação fundamentada em indícios de que Moro e procuradores ajustaram estratégias específicas contra esses réus.
Essa decisão gera um impacto direto na trajetória política de Dirceu. Com a anulação das penas, o ex-ministro recupera seus direitos políticos, retirando-se de sua condição de “ficha suja”, que o tornava inelegível. Fontes próximas ao ex-ministro informaram à coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, que Dirceu pretende lançar sua candidatura a deputado federal por São Paulo, estado com o maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados.
A Lava Jato, iniciada em 2014, marcou a história recente do Brasil com um grande número de investigações e prisões de figuras políticas e empresários acusados de envolvimento em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. José Dirceu, uma das personalidades de destaque entre os investigados, foi condenado diversas vezes ao longo das operações.
Até o momento, o STF ainda não divulgou oficialmente a fundamentação jurídica completa que respaldou a decisão de Gilmar Mendes.
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