04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Homens têm 2,5 vezes mais chances de se eleger do que mulheres, revela pesquisa

Publicado em 13 de setembro, 2024

Homens têm 2,5 vezes mais chances de se eleger do que mulheres, revela pesquisa

A pesquisa analisou dados das eleições para a Câmara dos Deputados em 2018 e 2022, mostrando que os homens, especialmente os brancos, são os maiores beneficiários dos recursos dos fundos eleitoral e partidário. (Foto: Reprodução/Agência Câmara)

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Observatório da Branquitude revelou que a chance de um homem ser eleito é 2,5 vezes maior do que a de uma mulher, destacando a desigualdade no financiamento de campanhas com base em gênero e raça. A pesquisa analisou dados das eleições para a Câmara dos Deputados em 2018 e 2022, mostrando que os homens, especialmente os brancos, são os maiores beneficiários dos recursos dos fundos eleitoral e partidário.

Apesar das tentativas de aumentar a diversidade na política, as candidaturas femininas representam apenas 15% nas eleições para cargos de prefeito. A pesquisa apontou que na eleição de 2022, 85% das cadeiras da Câmara dos Deputados foram ocupadas por homens, somando 436 dos 513 deputados. As mulheres, que constituem mais da metade da população brasileira (51,5%), ocupam apenas 15% das cadeiras, com 77 deputadas.

A desigualdade também se reflete no recorte racial. Em 2022, embora tenha havido um aumento na representação de pretos e pardos em comparação a 2018, os números ainda estão longe de refletir a diversidade racial do Brasil. Pardos, que representam 45,3% da população, ocupam 20,8% das cadeiras da Câmara, enquanto pretos, que são 10,2% da população, ocupam apenas 5,6%. Por outro lado, brancos, que representam 43,5% da população, detêm 72,12% das cadeiras na casa legislativa.

O estudo evidenciou que o financiamento de campanha está diretamente relacionado às chances de vitória nas eleições. Em 2022, os candidatos que receberam mais recursos tiveram 6,6 vezes mais chances de serem eleitos, em comparação a 3,18 vezes em 2018. Esse financiamento, no entanto, foi concentrado em candidatos brancos, independentemente do gênero. Nas eleições de 2022, 71,56% dos recursos foram destinados a candidatos brancos, enquanto pardos receberam 22,79% e pretos, 4,6%. Indígenas, por sua vez, não receberam verba significativa.

Do total de R$ 2,82 bilhões distribuídos para campanhas em 2022, homens brancos receberam 44% do montante (R$ 1,24 bilhão), enquanto mulheres brancas ficaram com 17,7% (R$ 485 milhões). Homens negros receberam 23,4% (R$ 662 milhões) e mulheres negras, apenas 14,3% (R$ 405 milhões).

Apesar das políticas de cotas que exigem 30% de candidaturas femininas e a emenda constitucional que estabelece contagem dobrada para candidatos negros e mulheres, o cenário de desigualdade persiste. A coordenadora de pesquisa do Observatório da Branquitude, Carol Canegal, alertou para o impacto da PEC da Anistia, que perdoa a dívida dos partidos pelo não cumprimento das cotas. Ela destaca que isso pode agravar ainda mais a sub-representação de mulheres e negros no cenário político.

“Estamos retrocedendo em termos de representatividade racial e de gênero. A aprovação da PEC foi uma união de todos os partidos, independentemente de suas posições ideológicas, demonstrando que a distribuição de verbas continua concentrada em candidatos brancos”, afirmou Canegal.

O estudo mostrou que partidos de diferentes espectros políticos, como PT e PL, têm perfis semelhantes na distribuição de candidaturas. Em 2022, 73,91% dos eleitos pelo PT eram brancos, enquanto no PL esse percentual foi de 73,74%, com uma representação negra que também não reflete a diversidade do país.

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