09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Manaus e o ambiente

Publicado em 24 de agosto, 2024

Por Felix Valois

Época houve em que todos os anos eu ia a Parintins, no final de junho, obviamente para degustar o Festival e desfrutar da hospitalidade de Alfredo Santana, que, infelizmente, achou de morrer. Muita saudade. Pois bem. A viagem era de barco, aliando o consumo de um bom uísque com a contemplação da exuberante natureza amazônica. O espetáculo, na arena, era sempre um deslumbramento. A criatividade dos artistas da terra nunca deixou de me impressionar. Trabalhando sobre o mesmo tema, conseguem revelar uma versatilidade que chega a raiar o gênio.

A viagem em si mesma, porém, ensejava, num aspecto, uma visão entristecedora e desrespeitosa. Como eram milhares de pessoas a seguir para o mesmo destino, era possível vislumbrar, na esteira dos barcos, uma fileira gigantesca de latas de cerveja e refrigerante, boiando ao sabor do banzeiro e agredindo a dignidade do rei dos rios. Entremeavam-se a esses objetos sacos de plástico e outras inutilidades, descartadas levianamente da amurada das embarcações. Lembrava o cenário da história de João e Maria, como se se marcasse um caminho de ida e volta. Era revoltante.

Felizmente, verifiquei, nas minhas derradeiras idas, que a coisa melhorou. Ainda é possível detectar, aqui e ali, o produto do comportamento de algum alienado mental, que reproduzindo talvez o ambiente doméstico, insiste em se cercar de lixo. No grosso, porém, o tal “caminho” já não existe.

Essa melhora, contudo, não esgota o assunto. Ainda conseguimos perceber, na órbita ambiental, um desrespeito que não se coaduna com os nossos desejos de metrópole das selvas. Manaus está a precisar de um choque de ordem, tão intenso e sério que traga o povo em massa para cultivar e divulgar a ideia de que amar a cidade implica necessariamente em lhe tributar respeito. Não se trata do tolo pensamento da intocabilidade, até porque ele é irrealizável. Cuida-se, pois, mais de responsabilidade no trato com as coisas da natureza, de forma a ensejar a convivência pacífica e produtiva.

Ouço o clamor da jornalista Márcia Rosa: “Manaus merece um ambiente inteiro bem cuidado, com bens naturais protegidos, espaços públicos democráticos, acessíveis e amigáveis, ocupados com nossa cultura, fortalecida e valorizada, com direitos respeitados, com oportunidades de trabalho e renda e com garantia de comida na mesa de todos”. E prossegue, numa mensagem que eu encampo e subscrevo integralmente como candidato a vereador: “Proteção ao meio ambiente vai muito além de projetos ambientais, mas passa, necessariamente, por eles. Manaus precisa, sim, ser mais moderna, dinâmica e pujante. E tais avanços exigem responsabilidade do poder público com o patrimônio natural, incluindo as áreas verdes e as águas da cidade, com projetos sustentáveis em todas as áreas.”

De tudo posso concluir que hei de ter como uma das minhas primeiras prioridades a apresentação de projeto de lei que torne obrigatória a inclusão da educação ambiental na grade curricular do ensino fundamental, de responsabilidade do município. A par disso, serão feitas tratativas com as escolas particulares no sentido de que adotem a educação ambiental em seus respectivos currículos escolares.

É um passo gigante, mas indispensável. Afinal, Manaus, quem ama, respeita. Por isso, divulgo o número 13339 para vereador, com Marcelo 13, para prefeito.

s

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Felix Valois

* Félix Valois é advogado, professor universitário e integrou a comissão de juristas instituída p...

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.