16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Seminário das Águas da Amazônia discute crise hídrica na região

Publicado em 10 de novembro, 2023

Seminário das Águas da Amazônia discute crise hídrica na região

Mudanças climáticas, saneamento básico e políticas públicas sobre o uso das águas foram alguns dos temas abordados durante o 8º Seminário Águas da Amazônia realizado nesta quinta-feira (9) no Instituto Soka. O evento é uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Soka. Participaram do evento com palestras os pesquisadores do Inpa, membros do Soka, Águas de Manaus e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Durante a abertura, a coordenadora de tecnologias sociais do Inpa, Denise Gutierrez, foi quem deu início ao evento. Gutierrez ressaltou a importância da parceria entre o Inpa e o Soka no debate sobre as águas da Amazônia. “É importante debater esse assunto, ainda mais na situação de extrema seca que estamos vivendo. E o Inpa com o Soka tem muitas convergências em assuntos como esses [águas da Amazônia], assuntos como educação ambiental, preservação e no entendimento que somos depositários de riquezas [conhecimentos] naturais e importantes advindas da floresta amazônica. Nós do Inpa abraçamos a ciência, entendemos que conhecer a floresta é da maior importância”, frisa.

O pesquisador do Inpa Jochen Schöngart, explicou sobre os rios voadores, ciclos hidrológicos da Amazônia e pontuou questões ligadas à seca extrema, queimadas e fumaça que cobriu o Amazonas no último mês. Schöngart alertou sobre a necessidade do monitoramento desses impactos e de ações imediatas em nível nacional e apoio internacional para mitigar esses impactos.

Seca

“A seca extrema deste ano [2023] é resultado de vários mecanismos convergentes que causam esse fenômeno. O El Niño e, simultaneamente, o aquecimento do Atlântico Tropical Norte que provoca secas meteorológicas que abrangem quase toda a bacia amazônica resultando nos menores níveis da água registrados em muitas regiões. A situação é agravada pelo desmatamento e incêndios em larga escala que impactam o ciclo hidrológico em escala regional”, frisa

O pesquisador destacou sobre a dificuldade em se criar soluções para esses problemas, principalmente quando afetam comunidades. “O aumento de secas e cheias extremas nos últimos anos são grandes desafios para as políticas públicas e para a sociedade, uma vez que causam problemas como a exposição de populações vulneráveis, riscos para a segurança alimentar, impactos no comércio, aumento de mortalidade de espécies de árvores e organismos aquáticos em áreas alagáveis. Isso explica o que temos visto nos jornais, o isolamento das comunidades, que precisam andar muito para encontrar água potável e comida,  a morte em massa dos animais no lago de Tefé que chegou a uma temperatura de 39° graus e outros fenômenos. Água é vida, mas quando temos em excesso ou em falta, temos problemas”, pontua.

Ainda foram abordados outros assuntos relevantes às águas, com dados alarmantes sobre a falta de saneamento básico nas escolas de comunidades do interior do Amazonas, o Patrimônio Cultural a exemplo das gravuras encontradas recentemente durante a seca e um panorama da qualidade das águas na capital, uma reflexão sobre a bacia hidrográfica do Educandos, São Raimundo e Tarumã-açu

Para assistir o seminário completo acesse o canal do YouTube do Instituto Soka Amazônia.

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