03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF pede cooperação internacional com Estados Unidos em investigação sobre joias

Publicado em 14 de agosto, 2023

PF pede cooperação internacional com Estados Unidos em investigação sobre joias. Pedido foi solicitado ao ministro Alexandre de Moraes

A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a autorização para uma cooperação policial com autoridades dos Estados Unidos na investigação sobre as joias que teriam sido negociadas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de venda ilegal de joias e bens de luxo da União para favorecer o patrimônio privado de Jair Bolsonaro. Na última sexta-feira (11/8), foram realizadas buscas e apreensões em endereços dos aliados e principais nomes ligados ao ex-chefe do Executivo. Entre eles, o tenente-coronel Mauro Cid — que está preso — e o general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid (pai do militar); Osmar Crivelatti, braço direito do ex-ajudante de ordens; e Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro.

Com o apoio dos EUA, a PF brasileira pretende ter acesso às contas bancárias do ex-presidente, de Mauro Cid e do general Mauro Loureira Cid, mantidas no país norte-americano. A polícia também busca o rastreamento das joalheiras envolvidas na venda das peças, principalmente do relógio que teria sido “resgatado” por Wassef.

O acessório, de platina cravejado de diamantes, foi entregue por sauditas a Bolsonaro durante uma viagem oficial, em 2019. O objeto foi levado para os Estados Unidos e, segundo a PF, em junho do ano passado, foi vendido por mais de U$S 68 mil, cerca de R$ 346 mil. É nesta parte da história que entra Frederick Wassef. Ele teria ido aos EUA para recomprar o relógio, que estava exposto em uma joalheria de Miami, para entregar ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Venda ilegal

A suspeita da PF é que as operações funcionavam por determinação de Jair Bolsonaro e que teriam rendido R$ 1 milhão. Na noite da última sexta-feira, os investigadores pediram ao STF a quebra de sigilo fiscal e bancário do ex-presidente.

A apuração também solicitou que ele seja ouvido no inquérito. Segundo a corporação, a ofensiva para incorporar bens públicos ao acervo privado driblou até mesmo o setor do Planalto, responsável por catalogar os presentes dados ao presidente da República.

A PF afirma que esses itens foram levados aos Estados Unidos no mesmo avião em que Bolsonaro viajou em dezembro do ano passado. As conversas ainda mostram Mauro Cid pedindo que o pai dele enviasse fotos das joias. Em uma das imagens, aparece o reflexo de Mauro Cesar na caixa dos presentes. Ele chegou a enviar ao militar dois endereços de lojas e comércios de ouros e metais preciosos nos EUA.

Os agentes da PF tiveram acesso a troca de mensagens em que Mauro Cid afirma que o pai está em posse de US$ 25 mil em dinheiro vivo, e que o montante deveria ser entregue a Jair Bolsonaro. A suspeita é que o valor seja oriundo da venda de bens desviados da União. Na mensagem interceptada pela polícia, o militar indica que estaria com medo de usar o sistema bancário e que preferia em “cash”.

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