
Lula e Bolsonaro vão ao 2º turno em disputa pela Presidência
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Messias Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno para a Presidência da República nas Eleições 2022. Com 97,51% das seções totalizadas, às 21h36 deste domingo (2), Lula teve 55.166.851 (47,91%) e Bolsonaro 50.261.216 (43,65%) dos votos, respectivamente.
O número de votos válidos foi de 115.373.809 (95,59%). Foram registrados 1.929.123 votos brancos (1,59%) e 3.397.990 votos nulos (2,82%). A abstenção chegou a 20,90%.
Perfis
Jair Messias Bolsonaro, 67 anos, é candidato à reeleição pela coligação Pelo Bem do Brasil (PL/PP/Republicanos). Natural de Campinas (SP), ele é casado com Michelle Bolsonaro e tem como candidato a vice-presidente o militar reformado Walter Souza Braga Neto, de 66 anos.
Luiz Inácio Lula da Silva, 76 anos, é natural de Garanhuns (PE) pela coligação Brasil da Esperança (formada por FE Brasil BRASIL (PT/PCdoB/PV)/Solidariedade/Federação PSOL-Rede/PSB/Agir/Avante/Pros). Presidente da República entre 2003 e 2010, ele é casado com Rosângela Silva, Janja, e tem como candidato a vice-presidente o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.
Lula chega ao segundo turno com o apoio de nove partidos. Além do PT, integram a coligação PSB, Solidariedade, PCdoB, PSOL, Avante, PV, Rede e Agir. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), seu antigo adversário político, é o candidato a vice-presidente em sua chapa.
O petista voltou a se tornar elegível em 8 de março de 2021, quando o ministro do STF Edson Fachin anulou todos os atos processuais da Lava Jato que envolviam o petista.
Fachin entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não deveria ter sido designada para conduzir os casos ligados ao petista, porque, segundo o ministro, eles não tinham relação direta com a Petrobras. O entendimento foi confirmado pelo plenário da Corte em 15 de abril, por 8 votos a 3.
Além disso, o Supremo considerou suspeito o ex-juiz Sergio Moro, responsável por julgar e condenar Lula.
O ex-presidente permaneceu por 580 dias na prisão, em Curitiba, até novembro de 2019, após ter sido condenado sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação envolvendo o triplex do Guarujá. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido propina da OAS em troca de favorecimento em contratos com a Petrobras. O pagamento teria sido feito, segundo a acusação, com a reserva e reforma de um apartamento na cidade do litoral paulista.
Durante esse período, foi impedido de disputar a eleição presidencial de 2018. À época, o PT chegou a anunciar a candidatura de Lula, mas ela foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa.
Após a sequência de vitórias na Justiça, o ex-presidente buscou atrair apoio de aliados e até ex-adversários políticos para criar uma “frente ampla” em torno da sua candidatura.
O maior símbolo desse movimento é a presença de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula. Em 2006, quando o ex-governador de São Paulo estava no PSDB, eles disputaram o segundo turno à Presidência em um pleito que ficou marcado por embates e trocas de acusações entre os candidatos.
Em setembro, oito ex-candidatos à Presidência declararam apoio a Lula em evento com o petista.
O presidente conseguiu atrair os partidos que formam a base governista em busca da reeleição. Além do PL, Republicanos e PP apoiam a sua candidatura.
Em seu primeiro ano à frente do Executivo, o presidente e seus ministros conseguiram aprovar a reforma da Previdência no Congresso.
A partir de fevereiro de 2020, Bolsonaro teve que lidar diariamente com o aumento no número de casos e mortes provocados pelo coronavírus e com os impactos econômicos da pandemia.
Em articulação com o parlamento e com os votos da oposição, o governo aprovou um auxílio de R$ 600 a trabalhadores de baixa renda, o auxílio emergencial. O benefício foi postergado mais de uma vez e, mais tarde, transformado em um auxílio permanente, o Auxílio Brasil.
Na área econômica, o governo Bolsonaro também conseguiu aprovar a privatização da Eletrobras.
Além do desgaste em decorrência das mortes provocadas pelo coronavírus, Bolsonaro enfrentou investigações de corrupção contra integrantes de seu governo, como o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, acusado de direcionar repasses da pasta a prefeituras indicadas por pastores sem cargo oficial. Ele nega irregularidades.
Bolsonaro ainda precisou lidar com os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia e com o aumento nos preços dos combustíveis e alimentos provocado pelo conflito.
O presidente teve uma série de atritos com ministros do STF e TSE, levantando suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral.
De acordo com o calendário do TSE, os candidatos podem voltar a fazer campanha às 17h da segunda-feira (3), 24h após o encerramento da votação do primeiro turno. As campanhas podem pedir voto até o dia 28.
No próximo dia 7, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV também retornará à programação e ficará no ar até o dia 28.