21/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EUA: doenças sexualmente transmissíveis preocupam autoridades

Publicado em 20 de setembro, 2022

Foto: Agência Brasil

O aumento de 26% em novas infecções de sífilis no ano passado, nos Estados Unidos (EUA), preocupa as autoridades de saúde do país. Diante do acréscimo acentuado de casos, os especialistas pedem esforços de prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis (DST) que atingiram a maior taxa em décadas.

As taxas de infecção provocadas por algumas DST, incluindo a sífilis, aumentam há anos nos EUA.

No ano passado, os novos casos de sífilis atingiram o maior nível desde 1991 e o número total de doentes chegou ao máximo desde 1948. O pico atingiu 26%.

A taxa de casos de HIV também teve aumento de 16% no ano passado.

O surto internacional de varíola veio agravar o problema, com doenças transmitidas principalmente por meio da relação sexual.

David Harvey, diretor executivo da Coligação Nacional de Diretores de DST, descreveu a situação como “fora de controle”.

Para Mike Saag, especialista em doenças infecciosas da Universidade do Alabama, em Birmingham, o aumento do uso de preservativos é fundamental para conter as DST. “É bem simples. Mais infecções sexualmente transmissíveis ocorrem quando as pessoas fazem mais sexo desprotegido”, afirmou Saag.

Sífilis

A sífilis é uma doença bacteriana que se revela em feridas genitais, mas pode evoluir para sintomas graves e morte, se não for tratada.

Na década de 40, os antibióticos travaram as infecções por sífilis e, em 1998, os Estados Unidos registraram menos de 7 mil novos casos. A partir de 2002, os casos começaram a aumentar novamente, identificados principalmente na comunidade homossexual e bissexual. No fim de 2013, a escalada de casos ultrapassou os 17 mil.

Em 2020, as novas infecções atingiram 41,7 mil e aumentaram, no ano passado, para mais de 52 mil. A taxa de casos é a maior em três décadas.

Bactéria da Sifilis

Além do uso de preservativo ter diminuído, o uso de drogas e álcool pode ter contribuído para o comportamento sexual de risco. O aumento na atividade sexual, à medida que as pessoas saíam dos confinamentos da covid-19, também teria facilitado as transmissões: “No pós-pandemia, as pessoas sentiram-se livres”, disse Saag.

Varíola

O avanço da varíola dos macacos trouxe mais uma preocupação para as autoridades de saúde.

Nos Estados Unidos, os serviços passaram a redirecionar os recursos de HIV e DST para combater o surto de varíola. Mas alguns especialistas defendem que “o governo precisa fornecer mais financiamentos para o trabalho de combate às DST, e não desviá-los”.

Teste caseiro

“É imperativo que trabalhemos para reconstruir, inovar e expandir a prevenção das DST nos EUA”, afirmou Leandro Mena, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, em discurso nessa segunda-feira durante conferência médica sobre doenças transmitidas por via sexual.

O grupo de especialistas pediu investimento federal de US$ 500 milhões para as clínicas que tratam as DST e defendem novas abordagens para o problema, como kits de testes caseiros que tornarão mais fácil a detecção.

“As pessoas, ao saber que estão infectadas, poderão tomar medidas para evitar a propagação”, disse Mena.

Segundo ele, o desenvolvimento de kits caseiros, além da redução do estigma dos doentes, facilitará os serviços de triagem e rápida identificação para o tratamento: “Eu imagino um dia em que fazer o teste [para doenças sexualmente transmissíveis] possa ser tão simples e acessível como fazer um teste de gravidez em casa”.

Agência Brasil 

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