
Em 2022, o tradicional barquinho que sempre leva o nome de personagens da história do boi Garantido, agora traz o nome de Paulinho Faria, o ícone da nação vermelha que “partiu pra ficar”, vítima da pandemia. Foto: Divulgação
A chegada dos primeiros módulos alegóricos e máquinas gigantes na área de concentração do Bumbódromo começa aos poucos a dar a dimensão daquele que promete ser um dos maiores festivais dos últimos tempos, não apenas pela grandiosidade das estruturas, mas pelo simbolismo, pela saudade e a emoção que envolve a retomada do evento folclórico.
Do lado vermelho, módulos de alegorias coloridas vão montando o cenário, mas o que cala fundo na alma e impacta o torcedor é ter que acreditar que em 2022 o tradicional barquinho que sempre leva o nome de personagens da história do boi Garantido, agora traz o nome de Paulinho Faria, o ícone da nação vermelha que “partiu pra ficar”, vítima da pandemia. Os dois bois perderam grandes nomes para o coronavírus.
“Já estou emotivo só de pensar nas homenagens”, disse um dos seguranças que estava encerrando o trabalho da noite hoje pela manhã, na área da concentração.

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“É um festival do retorno, uma carga emocional muito grande, um choque de realidade porque não vamos mais ter a genialidade de Paulinho Faria, as belas toadas de Emerson Maia, o talento de Junior de Souza, da backing vocal Roci Mendonça por exemplo, e de outros artistas que partiram e ficaram na memória da população”, disse o assessor do Garantido, Hudson Lima, que acompanhava a chegada dos módulos. “Vamos ter a emoção da disputa, a saudade, a ausência e a celebração da vida porque o espetáculo precisa continuar”, lembrou.

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Outros que faleceram recentemente são lembrados como Fernando Sérgio, o Gudu, grande tuxaua do Garantido, artista Bebetinho. “Não sei como vamos conseguir dosar toda essa carga emocional”.

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Do lado azul, o Caprichoso prepara grandes emoções, com homenagens tanto aos que partiram na pandemia, como os grandes aos nomes que ajudaram na construção da história do bumbá. “Nossa história foi construída com muita luta, amor e dedicação por pessoas como Arlindo Júnior, José Carlos Portilho, a costureira Ednelza Cid, a marujeira dona Chica Conceição e muitos outros personagens”, contou o diretor artístico Edwan Oliveira. Ele explica que será um momento de saudosismo, mas feliz por toda a trajetória de quem ajudou a fazer do Caprichoso um boi campeão. A luta da causa amazônica será exaltada e um dos momentos que promete marcar será com a toada Vale do Javari.

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Os módulos ainda não deixaram os galpões do Caprichoso e os artistas entram na etapa de acabamento e finalização para o transporte até a área de concentração. Enquanto isso, é o gigante guindaste de 500 toneladas e outro de 80, máquinas e carretas estão estacionados na concentração é que despertam curiosidade desde a chegada, na tarde de sexta-feira, gerando grande movimentação, ingredientes para tornar o espetáculo cada vez mais emocionante.
“Estamos trazendo o maior guindaste das regiões Norte e Nordeste, lutamos pra isso e conseguimos graças a parcerias. O Caprichoso vai apresentar um boi com muitas surpresas e esse guindaste vai trazer essas surpresas”, comemorou o presidente do bumbá azul, Jender Lobato.

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Nos bastidores a ordem é brincar de boi com cara e jeito de raiz. Caprichoso e Garantido vão levar o público a uma viagem pela cultura dos povos originários da Amazônia, dos caboclos e índios, mostrando suas lutas, a resistência e a tradição da festa de boi-bumbá.
O Garantido vai apresentar no Bumbódromo a temática “Amazônia do Povo Vermelho” e o Caprichoso “Amazônia, Nossa Luta em Poesia”.

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As duas associações têm a intenção clara de encantar os turistas e os telespectadores do Festival Folclórico de Parintins retratando não só a riqueza da cultura local, mas também deixar a mensagem de luta dos povos, os valores, os protestos, os desafios de manter a floresta em pé.
Para isso, os artistas promovem uma verdadeira revolução de ideias, lançando mão de tecnologia, mas também reciclando e usando materiais regionais como palhas, sementes para confeccionar as alegorias e fantasias que serão apresentadas nos dias de disputa.

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Sem deixar de lado o espetáculo que costumam fazer, pretendem mostrar um boi-bumbá mais amazônico, mais folclórico, mais original ainda que não se deixe de lado mudanças e inovações sofridas nos últimos tempos.

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Ao longo dos anos, os artistas parintinenses abusaram dos recursos tecnológicos para transformar a brincadeira do boi-bumbá em um espetáculo que ultrapassa a barreira do imaginável. Além da fascinação, do coro das torcidas que canta a alma do caboclo da Amazônia, os bois recorrem à iluminação de última geração para emoldurar grandes estruturas. Na retomada do festival, a sedutora cultura pop do boi-bumbá promete ser ainda mais surpreendente, com criaturas fantásticas desafiando a gravidade na arena do Bumbódromo.
Por Peta Cid