23/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fachin vê com preocupação número de mortos em operação policial no Rio

Publicado em 25 de maio, 2022

Fachin vê com preocupação número de mortos em operação policial no Rio

Relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), conversou nesta quarta-feira (25) com o procurador de justiça do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, e encontrará outros procuradores para tratar do tema durante o restante do dia.

O ministro demonstrou preocupação com a operação policial realizada na Vila da Penha, Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. O saldo de 25 mortos representa o segundo maior em ações policiais realizadas em toda a história do estado, segundo dados do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF).
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Fachin se mostrou preocupado com o elevado número de mortos, mas informou ter confiança de que os termos da ADPF 635, que restringe a realização de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia de Covid-19, serão cumpridos, com a investigação de todas as circunstâncias da operação.

Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e o Ministério Público Federal (MPF) informaram que já abriram procedimento apuratório para o caso.

Desdobramentos legislativos

A liderança da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados pediu, por meio de um ofício enviado na terça-feira (24), uma audiência com o ministro Fachin, também para discutir a ADPF 635 e eventuais violações da norma no Rio de Janeiro. A solicitação foi feita a pedido da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ).

A bancada analisa outras frentes de atuação e buscará a abertura de uma Comissão Externa para apurar irregularidades que possam ter acontecido na ação, na qual a Polícia Militar contou com a participação de dois órgãos federais: Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

A abertura de uma comissão deste tipo, no entanto, depende de entendimento com outras bancadas e, se gerar custo para a Câmara dos Deputados, demandará a anuência do plenário.

“É fundamental interromper esse ciclo de horror, que tem o estado como responsável. Há hoje uma ADPF para coibir abusos nas operações policiais, que não está sendo cumprida. E, diante do cenário dramático que evidencia execuções sumárias, e do envolvimento da PF e da PRF, vamos pedir também uma comissão externa, no âmbito da Câmara dos Deputados, para que possa acompanhar as investigações”, afirma Talíria Petrone.

Direitos Humanos

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou ofícios com protocolos internacionais para redução da letalidade policial e enfrentamento de casos de violência, para MP-RJ, MPF, Ministério da Justiça e Segurança Pública, STF e governo do Rio de Janeiro. Os documentos pedem que as normas sejam aplicadas nas apurações sobre as mortes ocorridas na comunidade que integra o Complexo da Penha.

Presidente do colegiado, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) explica a estratégia. “Ontem fizemos comunicados a diversas autoridades, para que seja feita uma apuração rigorosa dos graves fatos acontecidos. Foi uma matança. Hoje à tarde faremos uma reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e avaliaremos outras iniciativas”, afirma o parlamentar.

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