Por Daniel Sales
Ele foi um dos mais competentes e famosos massagistas do futebol do Amazonas. Num tempo em que no estado a formação técnica não prevalecia tanto (a maioria dos massagistas eram práticos), Antônio foi procurar formação profissional numa das então “Mecas” do futebol brasileiro. Com um detalhe: por conta própria. Ao voltar à Manaus ingressou no time de maior torcida e títulos. Lá ficou por 25 anos. Marialvo, Sula, Téo, Pretinho, Pepeta, Rolinha, Luiz Florêncio, Sérgio Duarte, Corrêa, Raulino, Paulo Galvão, Zezinho, Reginaldo, Marcão, Murica, China, Bendelack, Macapá, Fernandinho, Dario, Edu, enfim… Centenas de jogadores passaram pelas mãos desse profissional.
Mas, quem foi Antônio Mentiroso?
Antônio Florêncio Alves nasceu em Cruzeiro do Sul (Acre) – município fronteiriço com o Peru – em 17 de maio de 1922 (há exatos 100 anos). Filho do vendedor autônomo João Franklin Florêncio Alves e de Maria Adalgiza Alves. Seu 1⁰. Emprego também foi como vendedor. Veio para Manaus na adolescência, em 1939 – no mesmo ano que eclodia a 2a. Guerra mundial – em busca de melhorias.
Chegando à Manaus foi residir à rua Nhamundá, Bairro da Praça 14 de Janeiro. Nove anos depois, mudou-se para o Boulevard Amazonas, ali próximo à antiga “Bola do Olímpico.” Quando o Local fervilhava nos folguedos populares, nas festas “Joaninas” com o Boi Bumbá Mina de Ouro e no Carnaval com a Escola de Samba Voz da Liberdade. Antônio Casou -se com Suzana Moreira Alves. Teve os seguintes filhos: Antônio Filho (em 1945, hoje, mecânico), Regineide, Sandra e Regina Célia (in memoriam), Suely (em 1957, hoje, doméstica) Maria Adalgisa (em 1959, hoje, vendedora autônoma), João Franklin (em 1961, hoje, também vendedor), Jorge Hamilton (em 1963 , Representante comercial) e o caçula, José Vicente (em 1965, vendedor).

Em 1962, com 40 anos de idade, Antônio embarcou no avião Lockheed Constellation da PanAir, saindo do Aeroporto Ajuricaba (Ponta Pelada) rumo ao Rio de Janeiro para fazer o curso de Massoterapia e Enfermaria. Como estagiário foi às Laranjeiras ser massagista no Fluminense F.C. e também atuar como enfermeiro numa farmácia no tradicional Bairro carioca da Glória, ali entre o Catete e a Lapa. Mas… a saudade bateu no peito e Florêncio decidiu voltar ao Amazonas.
Voltando à Manaus foi ser massagista no Nacional F.C., e no clube ficou por 25 anos (de 1963 à 1988). Foi super importante na reabilitação e no desenvolvimento físico de dezenas de jogadores. Trabalhou, Inclusive, nos anos em que o time disputou a 1a. Divisão Nacional (1972 a 1986), quando era comum o “Leão da Vila Municipal” enfrentar grandes times brasileiros. Viajou bastante à dezenas de cidades acompanhando a delegação azulina. Aliás, nestes 25 anos foi campeão 15 vezes. Dá até para lembrar das suas corridas ao campo para atender aos atletas machucados. Nas fotos dos títulos, lá na ponta está ele com seu reconhecido boné.
Essa alcunha, “Mentiroso” foi anexada ao nome, ficou: *Antônio Mentiroso.* “Esse apelido foi dado a ele por causa das inúmeras ‘estórias de pescador’ que o papai contava”, me relatou seu filho Jorge, que por sinal é bastante parecido fisicamente com o pai. “Ele era muito amigo de todos”, completa. Mentiroso era um verdadeiro Contador de Histórias. Sempre é lembrado por alguns ex-jogadores e dirigentes.
Antônio se aposentou no início da década de 1990. Faleceu em 2016 aos 94 anos de idade. Viveu longo tempo, e bem! Deixou o seu legado. Uma Lenda do futebol amazonense.
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* Daniel Sales é pesquisador cultural.