
Igreja muda altar da Catedral que você vê na foto. À esquerda como era e à direita como ficou, após a recente reforma
A Catedral Metropolitana Metropolitana de Manaus, que tem N.S. da Conceição como padroeira, acaba de mudar o altar. Saiu a estrutura em pedra calcária e entrou uma nova, em madeira de lei. Fiéis, como o artista plástico Rui Machado e o administrador e pesquisador Roger Péres, filho do falecido senador Jefferson Péres, ficaram revoltados com a mudança. “O que aconteceu é um dano ao patrimônio público, o que configura crime. Se a dita obra não possui autorização específica de nenhum órgão responsável, isso é gravíssimo”, disse Roger.
O problema central, além da questão estética, é que a catedral é tombada pelo Patrimônio Estadual e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E a pedra do altar tem tombamento especial, feito no governo José Lindoso, por ter sido usada pelo papa João Paulo II, canonizado, quando visitou Manaus, em 1980.
O pároco da catedral, padre Hudson Ribeiro, emitiu nota, nas redes sociais da igreja, inaugurada no dia 15 de agosto de 1877. “Foi mantida na sua totalidade a pedra original (mármore) abençoada por São João Paulo II, ou seja, a parte superior da mesa. A pedra foi embutida na madeira, sem nenhum dano”, afirma.
“Em plena Semana Santa, a cidade de Manaus recebe essa notícia. O altar compunha um conjunto arquitetônico e foi trocado por outro que não corresponde ao aspecto decorativo do presbitério”, afirma Rui Machado. “A igreja deu explicação descabida na página dela e proibiu comentários”, protesta.
“A mesa do altar-mor da catedral foi, aparentemente, destruída em recente obra executada naquele templo. Até onde eu sei, o Iphan não deu autorização para essa obra. Há, no site do órgão, um espaço onde são relatadas as obras em andamento e não consta essa mudança. O arcebispo precisa se manifestar para sanar o problema, ou seja, reconstruir a mesa. A igreja é tutelada pela Secretaria Estadual de Cultura (SEC) e pelo Iphan. O secretário Apolo também tem a obrigação de se manifestar porque se foi ação isolada do pároco é um crime e cabe uma ação penal”, disse Roger Péres.
“Foi uma bossalidade o que aconteceu. Uma mudança ignorante. Não se pode fazer uma reforma como essa sem ouvir a população manauara”, reforça Péres.
O pároco da catedral, padre Hudson Ribeiro, emitiu uma explicação nas redes sociais. Veja, abaixo:
“Breve Nota sobre o novo altar da Catedral.
Imagens do novo altar em madeira de lei da Catedral de Manaus. Foi mantida na sua totalidade a pedra original (mármore) abençoado por São João Paulo II, ou seja, a parte superior da mesa. A pedra foi embutida na madeira, sem nenhum dano.
O novo altar foi projetado por um arquiteto após consulta de especialistas em liturgia quanto ao material e espaço litúrgico.
Com o novo altar será possível mais movimentação no presbitério nas grandes celebrações, visibilidade do presbitério para a nave (e vice-versa) e possibilidade de realização de concertos sacros e religiosos (coro e orquestra).
O Pároco consultou anteriormente o IPHAN antes da realização da mudança do altar.
Pe. Hudson Ribeiro (Pároco da Catedral)
13/04/2022”
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