26/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EUA proíbem transações com Banco Central da Rússia e congelam ativos da instituição

Publicado em 28 de fevereiro, 2022

EUA proíbem transações com Banco Central da Rússia e congelam ativos da instituição

Os Estados Unidos estão tomando medidas imediatas nesta segunda-feira (28) para proibir transações em dólares americanos com o banco central russo e bloquear totalmente o fundo de investimento direto russo, disseram altos funcionários do governo – uma medida agressiva que visa alguns dos meios mais poderosos da Rússia de mitigar o efeito das sanções.

O objetivo é impedir que a Rússia acesse um “fundo para dias difíceis” com o qual Moscou esperava contar durante a invasão à Ucrânia, segundo autoridades. Em vez de usar as reservas para amortecer um rublo em queda, a Rússia não poderá mais acessar os fundos que mantém em dólares americanos.

As novas e abrangentes sanções – tomadas com Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá, União Europeia e outros – ocorrem em meio à queda livre da economia russa. Nesta segunda, o rublo caiu em 30%, um recorde para a moeda local, e o banco central elevou a taxa básica de juros de 9,5% para 20%.

“Nenhum país é à prova de sanções”, disse um funcionário da Casa Branca. “O cofre de guerra de Putin de US$ 630 bilhões em reservas só é importante se puder ser usado para defender a moeda local, especificamente vendendo essas reservas em troca da compra do rublo.”

“Depois das ações de hoje, isso não será mais possível, e a fortaleza da Rússia será exposta como um fachada.”

EUA proíbem

Em um telefonema com repórteres na manhã de segunda-feira, um alto funcionário do governo disse que a medida era “o culminar de meses de planejamento e preparação em nossos respectivos governos em canais técnicos, diplomáticos e políticos, inclusive nos níveis mais altos”.

“Estávamos prontos e foi isso que nos permitiu agir dentro de dias, não semanas ou meses, da escalada de Putin”, disse a autoridade.

“Nossa estratégia, para simplificar, é garantir que a economia russa retroceda enquanto o presidente Putin decidir avançar com sua invasão da Ucrânia”, disse um segundo alto funcionário do governo.

Em uma tentativa de mitigar o impacto das sanções sobre os consumidores de energia dos EUA e da Europa, o Departamento do Tesouro isentará das sanções a maioria das transações relacionadas à energia, um corte significativo nas sanções.

Um funcionário chamou as sanções em andamento de um “ciclo vicioso de feedback que é desencadeado pelas próprias escolhas de Putin e acelerado por sua própria agressão”.

As sanções também bloqueiam totalmente o Fundo de Investimento Direto Russo e seu CEO, Kirill Dmitriev. Autoridades disseram que eles eram “símbolos da corrupção russa profundamente enraizada e do tráfico de influência globalmente”.

“As ações de hoje representam as ações mais significativas que o Tesouro dos EUA tomou contra uma economia desse tamanho e ativos desse tamanho”, disse outro funcionário.

“O que também torna esse ativo significativo não é apenas a quantidade de ativos ou o tamanho do país que estamos mirando, mas a velocidade com que nossos parceiros e aliados trabalharam conosco para aprovar essa resposta”.

Sanções

Questionado sobre possíveis sanções adicionais à Bielorrússia, que parece pronta para elevar seu papel na invasão da Ucrânia pela Rússia, uma autoridade disse que os EUA estão observando os eventos “com muito cuidado” e que as sanções à Bielorrússia “continuarão a aumentar muito mais”.

As batalhas continuaram nesta segunda perto de várias cidades importantes da Ucrânia, enquanto a Rússia aumenta ainda mais as pressões.

As forças russas estão enfrentando “forte resistência” com a desaceleração no norte da Ucrânia, disse uma autoridade de defesa dos EUA, enquanto as tropas invasoras estão tendo “um pouco mais de sucesso” no Sul. Segundo os militares ucranianos, a Rússia “retardou sua ofensiva”, mas “ainda está tentando” conquistar território ucraniano em todo o país.

As conversações entre as delegações russa e ucraniana também começaram na segunda-feira na Bielorrússia. No período que antecedeu a reunião, a Ucrânia exigiu um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”.

Mais de 500 mil refugiados fugiram da Ucrânia para países vizinhos após o início da invasão, informou a Agência das Nações Unidas para Refugiados.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu aos países europeus que façam mais para apoiar sua nação e na segunda-feira pediu à União Europeia que “admita urgentemente a Ucrânia” ao bloco.

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