Covid-19: morte de bebê de 1 ano e 4 meses reforça gravidade da ômicron

Covid-19: morte de bebê de 1 ano e 4 meses reforça gravidade da ômicron

A morte de uma criança de 1 ano e quatro meses à espera de um leito de unidade de terapia intensiva (UTI) acendeu um alerta no Distrito Federal. O menino morreu no Hospital Regional do Paranoá. A confirmação de infecção pelo novo coronavírus veio um dia após o óbito. Nessa quarta-feira (2/2), a ocupação de UTIs pediátricas e adultas chegou a 100%. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, os casos de crianças de até 10 anos com covid-19 aumentaram 1.640% — passando de 220 para 3.828. Especialistas destacam a necessidade de se ter disponibilidade de leitos para atender à população.

À noite, a rede pública de saúde operava com 94,95% dos leitos de UTI-covid ocupados, sendo que dos 118 disponíveis, cinco estavam capacitados para atendimento, inclusive um neonatal. Nos hospitais particulares, a lotação de vagas estava em 89,41% — dos 141 leitos, 29 estavam liberados. Em ambos os casos, todos os leitos pediátricos tinham pacientes. Segundo o InfoSaúde, portal de transparência da Saúde do DF, há nove crianças de até 10 anos internadas com covid-19 na capital federal em em tratamento intensivo. Dessas, cinco têm menos de 1 ano.

A infectologista Ana Helena Germoglio, que atua em unidade de terapia intensiva, explica que o atraso na internação em uma UTI pode mudar o destino do paciente. “É uma fila única. Quando o paciente é atendido e o médico demanda para a central um leito, ele entra na fila de acordo com a prioridade. Qualquer paciente que precise de uma UTI tem um motivo, e o atraso no encaminhamento pode sim mudar o desfecho do paciente”, ressalta. A médica afirma que o tipo de atendimento é diferente em uma UTI e que uma pessoa, independentemente da idade, pode ficar algumas horas sem o suporte, mas que é preciso celeridade no processo.

Quadro agudo

Segundo a Secretaria de Saúde, o bebê de 1 ano e quatro meses morreu na noite de segunda-feira (31/1) por causa de um quadro respiratório agudo. A criança deu entrada no Hospital Regional do Paranoá durante a madrugada com suspeita de pneumonia. Recebeu tratamento com antibióticos e iniciou a oxigenação. Ao mesmo tempo, foi testada para covid-19. No decorrer do atendimento, o quadro evoluiu com instabilidade respiratória. A equipe médica inseriu a criança na fila de espera por leitos com classificação de prioridade 2, indicada para pacientes que necessitam de suporte ventilatório, porém sem intubação.

Às 18h, a criança apresentou piora abrupta no quadro clínico e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Os médicos tentaram reanimá-la por 40 minutos, mas não conseguiram reverter a situação. O resultado positivo para covid-19 foi confirmado um dia depois. Em nota, a pasta lamentou o ocorrido, mas disse que não houve desassistência à criança.

O superintendente da Região de Saúde Leste, responsável pelo hospital em que o menino morreu, Sidney Sotero, explica que o bebê chegou em estado grave. “Tinha um indicativo de quadro de pneumonia. Por volta de 11h, ele foi inserida na fila e, às 18h, foi inserida para prioridade 1”, conta.

Segundo ele, a criança não apresentava comorbidades, mas, há alguns dias, toda a família estava com sintomas gripais. “Principalmente, a mãe. E é a pessoa que fica mais próxima do bebê nesta idade”, completa. Na unidade em que o menino morreu, há mais cinco crianças com suspeita de covid-19 e uma com infecção confirmada. Segundo Sidney, nenhuma delas precisa de UTI.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) lamentou a tragédia. “O Secretário de Saúde me disse, ainda hoje (quarta-feira), que não houve falta de atendimento, o atendimento foi dado e que, infelizmente, o bebê acabou falecendo. A gente lamenta muito a morte dessa criança”, declarou o chefe do Executivo local em agenda realizada na Estrutural.

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