Parintins prepara novidades no Festival de 2022, mas não desmobilizará barreiras sanitárias

Parintins prepara novidades no Festival

Parintins prepara novidades no Festival do ano que vem, como o asfalto a quente em 80% das ruas agora e outro tanto em 2022

O Festival de Parintins, que não aconteceu em 2020 e 2021, pode voltar em 2022. O prefeito Frank Bi Garcia, 55, tem tomado todas as medidas sanitárias para tornar a cidade o mais distante possível da pandemia de Covid-19. Sabe, no entanto, que a Ilha Tupinambarana não conseguirá nada isoladamente. Está providenciando, ainda assim, o decreto oficial para a volta da festa. “Há medidas que precisam ser tomadas com antecedência ou, com ou sem pandemia, não haverá Festival. Se a pandemia voltar, a gente para tudo rapidamente”, avisa.

Parintins está fazendo o dever de casa, em relação à retomada da atividade econômica. As ruas estão novamente lotadas. O comércio fervilha. Há até restaurante de alta gastronomia na cidade, com modesta mas bem montada carta de vinho. As ruas estão recebendo asfalto quente – “vamos asfaltar 80% delas com esse novo tipo de asfalto, graças a recursos do Governo do Estado e emendas dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga”, diz o prefeito.

Pela primeira vez na história, a Ilha tem mais alunos nas escolas municipais que em escolas estaduais. E o prefeito se tornou um campeão absoluto na absorção de emendas parlamentares, estaduais e federais, fazendo jus ao posto de Município mais populoso do interior. “Temos 140 mil habitantes, mais de 100 mil só na sede municipal, embora o IBGE ainda nos dê apenas cerca de 116 mil (115.363)”, acrescenta.

O portal foi à cidade e ouviu o prefeito, com exclusividade. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista:

Portal do Marcos Santos – O que o visitante vai encontrar de diferente na Parintins de 2022, se houver o Festival Folclórico?

Frank Bi Garcia – Um sistema viário totalmente recuperado e com asfalto de 5cm CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), aplicado em mais de 80% do sistema viário. Isso só foi possível graças aos recursos do Governo do Estado e emendas dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga. Vamos ter o Museu da Cidade, no antigo Palácio Cordovil, antiga sede da Prefeitura. Teremos o balneário do Canta Galo totalmente revitalizado. O anfiteatro novo, para os bois-mirins, quadrilhas e pastorinhas, está sendo construído atrás do Bumbódromo e estará concluído até lá.

Já temos um sistema de saúde com alta complexidade, com 11 leitos de UTIs. Antes, só tínhamos alcançado a média complexidade. Você sabe que um dos maiores hospitais privados de Manaus tem apenas 7 leitos de UTI, só para comparação. Fora o controle sanitário muito rígido, com exigência da carteira de vacinação, que será assim em todos os eventos, abertos ou fechados, como já está acontecendo.

 

pms.am – Essas UTIs, que são as primeiras de todo o interior amazonense, têm uma história um tanto complexa e parceria com o Governo do Estado. Como foi construído o processo que levou à implantação dessas unidades?

Bi Garcia – Você tem razão. Foi complexo. Precisamos de paciência e determinação. O Linhão de Tucuruí, que passa em terras do Município, precisará de um ramal até a cidade e aqui de uma estação de rebaixamento. Isso para que a energia seja aproveitada nas residências e no comércio. Geraria impostos futuros. Resolvemos negociar com a empresa vencedora da licitação para a obra.

Submetemos o resultado do negócio à Câmara Municipal e conseguimos transformar esses impostos nas 11 UTIs. Aí veio o problema do funcionamento. É muito caro manter equipes médicas e medicamentos caríssimos que são usados na terapia intensiva. Foi aí que entrou a sensibilidade do governador Wilson Lima, que entrou com o custeio das UTIs e garantiu o funcionamento pleno dessas unidades. São, como disse, as primeiras UTIs de toda a história no interior do Amazonas. Era, realmente, um grande absurdo que apenas Manaus detivesse esse tipo de tratamento, para doentes de maior gravidade. A pandemia de Covid-19 serviu para mostrar o quanto isso é danoso para o nosso povo. Antes, a situação existia, mas era meio invisível aos olhos da opinião pública.

 

pms.am – A cidade sempre tem incertezas com porto e aeroporto, na época do Festival…

Bi Garcia – O porto estará aberto. O aeroporto tem uma sala de desembarque nova e nós vamos ampliar a de embarque. Conseguimos uma linha aérea a mais para Parintins, que é a Azul, com média de 108 passageiros por perna de voo, fazendo de Manaus à Ilha em 42 minutos. A partir de janeiro, esse voo, que tem frequência às segundas, quartas, sextas e domingos, passará a ser diário. E teremos iniciado a construção do Museu dos Bois, emenda de R$ 12 milhões do senador Omar Aziz, que será tocado pela Amazonastur.

 

pms.am – Qual foi o impacto desses dois anos sem festival na economia de Parintins?

Bi Garcia – Foi um desastre. Gerou pobreza na população, principalmente artistas e demais profissionais que trabalham em Caprichoso e Garantido. São R$ 80 milhões que o boi coloca na economia local, quando da realização do Festival. Tivemos que atuar, através da Secretaria de Assistência Social, com apoio de cestas básicas, compra de pescado, produtos da agricultura familiar, buscando apoio nos governos Federal e do Estado. Conseguimos recursos para os artistas junto ao Governo do Estado. No Governo Federal, através da Lei Aldir Blanc de incentivo à cultura, Parintins foi o Município que mais emplacou projetos. Mas o principal impacto foi na tradição, na cultura, no corte abrupto em tudo que nossos antepassados construíram em mais de um século. Isso é o mais doloroso.

 

pms.am – O senhor espera algo especial em Caprichoso e Garantido no ano que vem?

Bi Garcia – Vejo muita vontade da população, o entusiasmo muito forte dentro dos parintinenses. A ambição é fazer o maior festival de todos os tempos. Vi uma energia muito positiva nos eventos de Garantido e Caprichoso, quando lançaram os seus temas. A criatividade dos artistas está fervendo e eles estão com muita vontade de realizar um grande festival.

 

pms.am – Como está a situação da pandemia de Covid-19 no Município?

Bi Garcia – Depois de Parintins derrubar para zero a internação no hospital Jofre Cohen, nós estamos trabalhando a vacinação. Estamos fazendo busca ativa dos não vacinados. Temos controle por bairro e quem não voltou para a segunda dose será vacinado em casa. O principal cuidado que precisamos ter é para imunizar a população parintinense. Não hesitaremos em tomar medidas que garantam o controle sanitário. No aniversário da cidade, com muita gente nas ruas, nós já fizemos barreiras nas ruas dos eventos e no aeroporto. Só entra quem tiver o certificado de vacina. Deu certo porque, passados esses mais de 30 dias, não tivemos nenhum surto da praga.

 

pms.am – A Prefeitura já anunciou que o Festival vai acontecer. E os bois querem que aconteça. Não são medidas que dependem do estágio da pandemia?

Bi Garcia – Claro. Mas há medidas que precisam ser tomadas agora ou não haverá festival, com ou sem pandemia. Se a pandemia voltar – bata aí na madeira duzentas vezes!!! – óbvio que não haverá clima para festa. E a gente pode parar a qualquer momento. O problema seria não lançar os temas, por exemplo, que são a base para o trabalho dos compositores e a criação artística do espetáculo em si. Parintins mantém os cuidados sanitários. Na cidade continua sendo obrigatório o uso de máscaras, por exemplo, e não desmobilizamos o nosso sistema para atendimento de doentes. A vigilância será mantida.

 

pms.am – A Prefeitura de Parintins, de uma forma geral, se tornou uma espécie de centro da Região do Médio-Baixo Amazonas. Essa “liderança” traz problemas, como a concentração de doentes da Covid-19 etc. Como o senhor lida com isso?

Bi Garcia – Jamais faria o que fez o governador do Pará, que impediu a entrada de brasileiros pelas divisas do Estado. Não vou impedir irmãos dessa grande região cultural em que vivemos, onde a gente fala, come e vive praticamente do mesmo modo, de vir à cidade. Só esperamos que os órgãos de gestão da pandemia, como o Ministério da Saúde e o Governo do Estado, continuem a compreender nosso papel e ajudem a Prefeitura a cumpri-lo.

Parintins prepara novidades no Festival

Prefeito assina ordem de serviço do anfiteatro ao lado do Bumbódromo, que receberá festa dos visitantes, quadrilhas e bumbás mirins, dando mais tempo para a preparação do palco principal da festa

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