Por Daniel Sales
Manaus – Mãe dos deuses
Mana – Maninha – Maniva
Mãe de Ajuricaba-mirim
Cunhã Amazona da tribo Baré
Untada em bacaba, genipapo e açaí
Por tantos deste Brasil és desejada…
Ah! Como és! Eterna Icamiaba
Exótica, pintada com óleo de buriti
E com incenso de uxi és perfumada
Ah! Como ris! Eterna enamorada
À todos nós agrada o teu sorriso maroto
O teu colo moreno viçoso
Visão de lendas, Epopéia de prodígios…
Acalenta a todos em teus seios soberbos e magníficos
A doçura do mel escorrido dentre eles
A vontade de vencer desafios, e, de seres tu:
A candura e o êxtase por entre estes rios, lagos, paranás, igarapés
A volúpia em renascer em teus vários ciclos…
Em tuas várias vidas
Ainda que eu ande por terras distantes
E num frêmito temporal me ponha a cantar doravante
É somente perante ao teu olhar enigmático… faiscante…belo semblante
Que me enlevo de forças para senti-la como seja eu um amante
Para que num só respirar turbilhante
Possa cheirar-te, sentir-se e aromatizar-me profusamente
Mas… como é difícil te esquecer…
Logo volto em sonho lépido aos teus braços
E, sem dúvida, como um rebento
Pranteio no teu mormaço, nessa canícula úmida e início de amanhecer
Manaus, Manô, Manoa del El Dorado
Manaus… Morena de largos afagos
Matiz de cores fragmentárias…
Mis pululantes…difusas…constan
Que inebria o incauto boêmio cantador que vacila…
Às vezes só espia
Iludindo e perturbando o tilintar sonante
Num gorgeio altissonante que contagia
Dona de uma verde altivez dourada fascinante
Nestas águas profundas que tu alumias
Manaus Morena
Seduzes, inebrias, contagias
* Daniel Sales é pesquisador cultural.