17/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Após passar na CCJ, PEC do parcelamento de precatórios segue para comissão especial

Publicado em 17 de setembro, 2021

Após passar na CCJ, PEC do parcelamento de precatórios segue para comissão especial

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, ontem, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição que parcela o pagamento de precatórios — como são chamadas as dívidas judiciais. A matéria foi aprovada por 32 votos a favor e 26 contrários. Para que a tramitação da PEC pudesse seguir adiante, era necessária apenas maioria simples na votação no colegiado. O texto agora irá para uma comissão especial que analisará a proposta e poderá fazer alterações.

O relator da matéria na CCJ, deputado Darci de Matos (PSD-SC), defendeu a admissibilidade dizendo que é preciso encontrar uma “solução que alcance a necessária responsabilidade fiscal exequível de pagamentos de precatórios”. A conta dessas dívidas prevista para 2022 é de R$ 89,1 bilhões e, se paga integralmente, deixará o orçamento do ano que vem sem espaço para novas políticas, como a ampliação do Bolsa Família, que será turbinado em parte pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

PEC precatórios

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), também já começou a coletar assinaturas para outra PEC, que tira toda a despesa com precatórios do teto de gastos. A medida liberaria R$ 20 bilhões dentro do limite de despesas — espaço que ajudará a acomodar o novo programa social, Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família.

A aprovação de uma PEC deve se tornar a principal saída para o governo, dado que nem a retórica mais amena do presidente Jair Bolsonaro, após as hostilidades contra o Judiciário nas manifestações do 7 de Setembro, será suficiente para recolocar na mesa de negociações a saída via Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para a emenda constitucional ser aprovada, o governo precisará reorganizar sua base para garantir apoio de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação na Câmara e no Senado.

Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), assegurou, ontem, que trabalhará para que, na próxima semana, seja dada uma “solução definitiva” para o pagamento de precatórios. Ele explicou que esse impasse precisa ser superado.

Solução

“Nós vamos debruçar, na próxima semana, para dar uma solução definitiva à questão dos precatórios. Isso é fundamental que aconteça no Brasil, até para que possamos enfrentar os outros problemas, porque problema é o que não falta. Nós temos que resolver um hoje, outro amanhã e assim sucessivamente”, disse Pacheco.

A questão chegou a um impasse tal que, em evento na última quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu “socorro” aos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e a Pacheco. “Como reajo? Socorro, ministro Fux; socorro, presidente Pacheco. Como posso manter nossas obrigações, um aumento no Bolsa Família, que todo mundo sabe que é necessário?”, questionou.

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