18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cunhã-poranga do Caprichoso, nativa munduruku, participa de ato indígena em Brasília

Publicado em 10 de setembro, 2021

Marciele Albuquerque está em Brasília desde o dia 7 de setembro, participando da Marcha das Mulheres Indígenas, evento que encerra neste sábado (11). Foto: Divulgação

Na Bumbódromo, no Festival Folclórico de Parintins, Marciele Albuquerque é a cunhã-poranga do Boi Caprichoso e personifica a força da resistência indígena na Amazônia. Mas, a luta pelo território, pela vida natural e por toda riqueza humana das comunidades tradicionais não se resume a três noites de espetáculo; transpõe a arena e se transforma em bandeira de luta pelos direitos dos povos nativos da floresta. Marciele está em Brasília (DF) desde o dia 7 de setembro, participando ativamente da Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, evento que encerra neste sábado (11).

Marciele Albuquerque é natural de Juruti (PA), e nativa do povo munduruku. Há cinco anos defende o item cunhã-poranga e assume o compromisso de lutar pelas causas e reivindicações indígenas.

Ela relata que busca lutar por aquilo que acredita e defende durante as apresentações no Festival de Parintins. “Essa causa necessita do nosso apoio todos os dias, as mulheres indígenas precisam ter a sua voz e o seu espaço. Além disso, a marcha se debruça sobre problemas crônicos como o desmatamento ilegal na Amazônia e a invasão de terras indígenas”, explica.

Foto: Divulgação

Marciele compartilha em suas redes sociais a rotina do acampamento em Brasília, e comenta que a relação com as diversas etnias tem sido construída na base do diálogo e companheirismo. “É uma das melhores experiências da minha vida, sem dúvidas. Estou próximo de mulheres que carregam dentro de si uma sabedoria imensurável, um conhecimento que elas fazem questão de nos transmitir. Isso é enriquecedor”.

Foto: Divulgação

Tensão

Brasília vive dias de tensão e o clima reflete na rotina do acampamento. Marciele comenta que, quando é necessário se afastar do grupo, a recomendação é retirar os acessórios indígenas e as máscaras personalizadas da marcha, para evitar o confronto com pessoas contrárias ao movimento. “Eu tive que retirar até a blusa com os dizeres ‘Vidas indígenas importam’, pois muitos hostilizam pelo simples fato de nós estarmos reivindicando, protestando. Durante a noite, a gente evita sair e até tentativa de invasão já foi registrada aqui no acampamento”, conta.

Foto: Divulgação

Manifestantes

A Marcha Nacional das Mulheres Indígenas reúne mais de 6 mil manifestantes, de 150 etnias diferentes. O encontro nacional é organizado pela Articulação Nacional dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).

O Boi Caprichoso sempre se manteve antenado à luta das mulheres indígenas. Na primeira edição da marcha, em 2019, o tema do manifesto das bravas guerreiras foi inspiração para o tema atual do Boi Caprichoso, “Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito”.

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