18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Já é Super El Niño: fenômeno é o mais forte já visto nesta época

Publicado em 17 de julho, 2026

Já é Super El Niño: fenômeno é o mais forte já visto nesta época

O fenômeno El Niño que atinge o Oceano Pacífico neste ano está avançando num ritmo sem precedentes nos registros modernos. Segundo avaliação da MetSul Meteorologia, com base em dados da NOAA, o episódio 2026-2027 já é o mais intenso já registrado para este período do ano — e a tendência é de que ganhe ainda mais força nos próximos meses, já que o pico do fenômeno ainda não foi alcançado.

Por que o El Niño está se fortalecendo tão rápido

O principal motor desse fortalecimento é um padrão incomum de ventos conhecido como “westerly wind bursts” — rajadas de vento de oeste que, ao contrário da circulação normal na faixa equatorial do Pacífico, empurram grandes volumes de água quente da porção oeste do oceano em direção à América do Sul. Esse deslocamento vem se repetindo desde o início do outono e tem um efeito cascata: gera as chamadas ondas de Kelvin, correntes subsuperficiais que carregam calor para o leste e, ao chegarem perto do Peru e do Equador, dificultam a ressurgência de águas frias profundas — um dos principais mecanismos naturais de resfriamento do oceano.

Sem esse resfriamento, a superfície do mar segue esquentando por semanas ou meses, alimentando ainda mais o fenômeno. Os dados atuais mostram, inclusive, uma grande reserva de calor abaixo da superfície que ainda não apareceu totalmente, mas deve emergir aos poucos. Nas proximidades da costa peruana, algumas áreas já registram temperaturas entre 7°C e 8,5°C acima da média histórica.

Um Super El Niño precoce

De acordo com o Índice Oceânico Niño da NOAA, a anomalia de temperatura na região equatorial centro-leste do Pacífico já chegou a +2°C — patamar que caracteriza um Super El Niño. O que chama atenção é a velocidade: esse nível nunca havia sido atingido tão cedo no ano. Para efeito de comparação, no episódio de 2023 o mesmo patamar só foi alcançado em novembro; nos super El Niños históricos de 1982-83 e 1997-98, a marca também veio bem mais tarde na temporada.

A maior parte dos modelos climáticos internacionais projeta que o fenômeno continue se intensificando, podendo alcançar anomalias entre +3°C e +4°C — o que o tornaria o El Niño mais forte já registrado desde o início das medições, no século 19.

O que isso significa para o Brasil

Os efeitos devem se intensificar ao longo do segundo semestre e no verão, com destaque para o fim do inverno e a primavera. O Sul do Brasil é a região que deve sentir os impactos mais fortes: além do Rio Grande do Sul, já muito afetado no episódio anterior, Santa Catarina e Paraná também devem ser bastante atingidos desta vez. Prevê-se aumento expressivo das chuvas, com risco maior de cheias e enchentes, além de mais episódios de temporais severos, granizo, vendavais e até tornados na região.

Apesar do cenário, especialistas ponderam que não é possível afirmar que haverá repetição da tragédia de 2024 no Rio Grande do Sul — enchentes catastróficas dependem de uma combinação específica de fatores que só pode ser avaliada com mais precisão a curto prazo.

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