
Dia do Amigo e as alianças políticas inscritas na história, mostrando como os quatro personagens aí de cima definiram a política amazonense: da esquerda para a direita Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz
POR MARCOS SANTOS
“Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. A frase, do ex-governador de MG, ex-ministro e ex-presidente da União Democrática Nacional (UDN), Magalhães Pinto, reflete bem o cenário amazonense. Lembrada, ironicamente, em mais um “Dia do Amigo” – que surge dezenas de vezes ao ano -, a foto mostrando Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz, mãos dadas e braços levantados, retrata um cenário histórico e atual.
Eleição de 1992, sucessão de Arthur Virgílio em Manaus, decidiu futuro amazonense pelas seguintes 22 eleições, entre prefeito e governador. Amazonino enfrentou e derrotou Arthur e Gilberto Mestrinho, então governador, padrinhos do derrotado José Cardoso Dutra.
1993-1994 – Amazonino prefeito de Manaus
1994-1996 – Braga prefeito de Manaus, como vice e herdeiro de Amazonino, que renunciou para disputar o Governo do Estado
1995-2002 – Amazonino governador do Amazonas, eleito e reeleito
1997-2004 – Alfredo prefeito de Manaus, eleito e reeleito
2003-2010 – Braga governador, eleito e reeleito
2010-2014 – Omar Aziz, depois de vice de Braga, vira sucessor por meses de 2010 e depois é reeleito governador
2014-2017 – José Melo sucede Omar por meses de 2014 e depois é eleito governador, sendo cassado no dia 4/05/2017, em julgamento recursal, na última instância, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
2017-2018 – Amazonino é governador eleito para mandato tampão, na sucessão do cassado Melo
2019 – Wilson Lima derrota Amazonino e interrompe o ciclo.
O quadro, que mostra como a “escola política” de Amazonino se sucedeu no poder, entre 1993 e 2017, permite projetar o futuro. O ano que vem, data da eleição para governador e presidente, o grupo pode estar novamente reunido.
Alfredo é carta fora do baralho, para o Executivo, mas sonha com a volta à Câmara Federal. Um carguito de deputado bastaria para, com a influência na cúpula do PL, buscar verbas federais e talvez beliscar um cargo no Governo Federal.
Amazonino – combalido fisicamente, saúde precária, o líder tenta a eleição que seria um “canto do cisne”. Mas, pragmático, dificilmente investirá o que acumulou numa aventura. Mesmo com assessores forçando a barra, exibindo imagens dele caminhando em esteira, de tênis, short e camiseta. Ninguém acredita mais num “caboco garotão”. Deve negociar o apoio a Eduardo Braga.
Braga – é candidatíssimo ao Governo do Estado. Só precisa de uma máquina. Paquera Lula, mas já percebeu que o PT não tem mais aquela estrutura que o fez unha e carne com o líder petista. Por isso corteja também Bolsonaro, em busca da máquina federal.
Omar – É candidato à reeleição ou, no mínimo, à continuação no Congresso Nacional. Se a atuação na CPI da Covid-19, no Senado, não for suficiente, vai disputar a Câmara Federal.
Melo – Vem ensaiando candidatura à Assembleia Legislativa. Acha que foi injustiçado, tendo sido o único governador cassado pela Justiça, na história amazonense. Amigos mais sinceros, no entanto, lembram que candidatura traz visibilidade e pode tirar o resquício de paz que o ex-governador tem encontrado.
É viver para ver.
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