12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crise provocada pela falta de oxigênio em Manaus entra no foco da CPI da Covid

Publicado em 15 de junho, 2021

Crise provocada pela falta de oxigênio em Manaus entra no foco da CPI da Covid

A CPI da Covid pretende fazer, hoje, ao ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campelo as perguntas que não puderam dirigir ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). O gestor do estado conseguiu, no Supremo Tribunal Federal (STF), o direito de escolher se iria ou não prestar depoimento na comissão — e preferiu não comparecer. Sem Lima no colegiado, Campelo será bombardeado com questões relativas à unidade da Federação. O principal ponto é entender a crise de oxigênio em Manaus, que vitimou pacientes com o novo coronavírus, e a data em que o governo federal foi alertado para o risco da falta do insumo no estado.

Em depoimento à CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello se contradisse sobre a data em que soube da crise — disse, primeiro, que foi em 10 de janeiro, mas, no segundo dia de oitiva, afirmou que foi alertado em 7 de janeiro. Já a secretária de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, mencionou outra data à comissão: 8 de janeiro.

Crise

Os senadores de oposição e independentes devem se empenhar em entender quando o governo federal teve indícios da iminência da falta do insumo no estado e sobre as ações tomadas no sentido de sanar o problema. Os parlamentares da base, por sua vez, vão tentar colocar a culpa no estado e explorar o assunto relativo a desvios de recursos destinados ao combate à pandemia. Principalmente porque uma operação da Polícia Federal, no início do mês, atingiu o governador e o ex-secretário, que chegou a ser preso. A ação apurava a contratação fraudulenta para favorecer empresários na construção de hospital de campanha.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) ressaltou que a presença de Campelo será importante pelo fato de ele ter vivenciado o epicentro da segunda onda. “Tem muito a informar, já que o governador conseguiu o habeas corpus para que não viesse. Ele tem as informações sobre o que aconteceu, por que não tomaram iniciativa para fazer o que se espera diante de uma situação emergencial”, disse.

O empresário Carlos Wizard continua sem responder às tentativas de contato da CPI. Ontem à noite, os senadores de base e da oposição se reuniram para discutir as estratégias da semana. Um dos pontos da conversa foi a respeito da eventual condução coercitiva do convocado.

Sem a presença de Wizard, o plano B da comissão será ouvir o auditor Alexandre Marques, do Tribunal de Contas da União (TCU). A oitiva dele consta na agenda para quinta-feira, tendo em vista a possível ausência de Wizard.

Depoimento

O depoimento de Witzel também é muito esperado pela oposição. O senador Rogério Carvalho ressaltou que o ex-gestor do Rio de Janeiro “tem muito a informar sobre a relação do governo, orientações que ele recebeu do Executivo federal, como o governo discutiu os encaminhamentos durante a pandemia”, tendo em vista a quantidade de mortos por covid-19 no estado.

Já o senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que o depoimento de Witzel será importante para a CPI saber como o governo federal agiu em relação ao estado no combate à pandemia. Apesar da expectativa em torno do ex-governador — que sofreu processo de impeachment e é opositor do presidente Jair Bolsonaro —, existe a possibilidade de ele não comparecer. Witzel pediu, ontem, ao STF o direito de decidir se irá ou não comparecer ao colegiado (leia ao lado).

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