25/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Bolsonaro usou estrutura diplomática para comprar hidroxicloroquina, diz Ernesto Araújo

Publicado em 18 de maio, 2021

O ex-chanceler Ernesto Araújo depôs nesta terça-feira (18/5) na CPI da Pandemia. Foto: Reprodução

O ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, depôs nesta terça-feira (18/5) na CPI da Pandemia, em Brasília. Além de negar qualquer tipo de atrito com a China durante a crise mundial ocasionada pela Covid-19, Araújo disse que a estrutura do Ministério das Relações Exteriores foi utilizada para a compra da hidroxicloroquina, um medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19, e que o presidente Jair Bolsonaro atuou nesse processo.

De acordo com o ex-ministro, havia notícias sobre a eficácia do medicamento no início da pandemia, em março de 2020, que vinham de vários lugares do mundo. “Houve uma grande corrida aos insumos para hidroxicloroquina e baixou precipitadamente o estoque de cloroquina, fomos informados pelo Ministério da Saúde”, afirmou.

Mesmo diante do uso da hidroxicloroquina  ter sido desaconselhado pela área médica, o Itamaraty continuou buscando garantir o envio do medicamento ao Brasil nos meses seguintes pela Índia.

“O presidente da República, em determinado momento, pediu que o Itamaraty viabilizasse um telefonema dele com o primeiro-ministro [da Índia]”, disse Ernesto Araújo.

China

Também durante o seu depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira, Ernesto Araújo negou que tenha feito qualquer tipo de ataque à China que pudesse desestabilizar as relações com o Brasil. “Não vejo nenhuma declaração que eu tenha feito como antichinesa. Em notas oficiais, nos queixamos do comportamento da Embaixada da China, mas não houve nenhuma declaração que se possa classificar como antichinesa”, declarou.

O ex-ministro foi então confrontado pelo presidente da comissão, Omar Aziz, que relembrou um artigo de autoria de Arújo, no qual é usada a expressão “comunavírus” no título.

“O vírus aparece, de fato, como imensa oportunidade para acelerar o projeto globalista. Este já se vinha executando por meio do climatismo ou alarmismo climático, da ideologia de gênero, do dogmatismo politicamente correto, do imigracionismo, do racialismo ou reorganização da sociedade pelo princípio da raça, do antinacionalismo, do cientificismo”, escreveu o ex-ministro. O texto está disponível em seu blog.

A CPI da Pandemia investiga ações e omissões de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e repasses federais a estados e municípios.

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