05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Justiça desfaz interdição da Sovel por crime ambiental. Ipaam anuncia recurso

Publicado em 10 de abril, 2021

Foto: Camila Vasconcelos/Ipaam/Divulgação

Após denúncias feitas pelas redes sociais, na última quarta-feira (7), a empresa Sovel da Amazônia foi multada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), por descarte irregular de resíduos no Lago da Colônia, localizado no bairro Colônia Antônio Aleixo, na zona Leste de Manaus. Mas, nesta sexta-feira (9), a Justiça desfez a interdição por crime ambiental determinada pelo Ipaam. O presidente do Instituto, Juliano Valente, já anunciou que vai recorrer da decisão.

A multa expedida pela Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa) do Ipaam, na quinta-feira (8), foi de R$ 330 mil, e a atividade de reciclagem de papel e papelão da fábrica foi embargada.

Entre as justificativas da decisão judicial para suspender o ato de interdição realizado pelo Ipaam estão que a paralisação das atividades da fábrica “causará impactos socioeconômicos em plena pandemia” e a ausência de “qualquer tipo de análise técnica, tratando-se de inspeção a olho nu na contramão de laudos periciais técnicos”.

Leia a decião judicial na íntegra:

0642203-05.2021.8.04.0001

Poluição

Os moradores da área onde fica o Lago da Colônia, alvo do descarte irregular de resíduos, afirmam que o acesso ao local poluído é complicado devido à mata de igapó, predominante na localidade. Para chegar à área, é necessário ter acesso a um flutuante na margem do Lago da Colônia e fazer a travessia por voadeira.

De acordo com o , os materiais avistados nas águas do lago fortalecem os indícios de derramamento de efluentes industriais do processo produtivo de uma fábrica localizada nas adjacências do Lago da Colônia. “O material orgânico em decomposição trata-se de lodo de material fibroso. Esse lodo está sedimentado no fundo da coleção hídrica, e a decomposição orgânica com formação de gases retorna com esse material [o lodo] para a superfície das águas. Essas questões reforçam as evidências de descarte de efluentes com alto teor de lodo compatível com a reciclagem de papel e papelão, atividade exercida pela fábrica próxima ao lago”, afirma o analista ambiental Diógenes Rabelo.

No dia 29 de março deste ano, durante uma das fiscalizações realizadas pela equipe de analistas ambientais da Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa), foram constatadas outras poluições: de solo e atmosférica. “Antes de constatarmos a poluição hídrica, tomamos conhecimento da presença de poluição atmosférica, que causava desconforto respiratório nos moradores de áreas adjacentes à fábrica” afirma o responsável pela Gefa, Raimundo Chuvas.

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