03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Eterno apresentador e ícone do Garantido, Paulinho Faria morre de Covid

Publicado em 22 de fevereiro, 2021

Eterno apresentador e ícone do Garantido, Paulinho Faria morre de Covid

Eterno apresentador e ícone do Garantido, Paulinho Faria morre de Covid. Foto: Reprodução

“Com imensa tristeza comunico que neste instante acabou de falecer o meu querido irmão Paulinho Faria“, 61, publicou Zezinho Faria na sua rede social, falando sobre um dos ícones do boi Garantido, que perdeu nesta segunda-feira (22) a luta contra a Covid-19, em Manaus.

Eterno apresentador

Durante mais de 30 anos Paulinho Faria foi apresentador do Vermelho, o “menino de ouro”, sendo até hoje considerado o eterno item do bumbá. Ele estava internado desde o dia 30 de janeiro em Parintins, de onde foi transferido do hospital Padre Colombo para o Jofre Cohen, no dia 2 de fevereiro. Nesta sábado havia sido intubado.

Segundo seu irmão Zezinho, ao ser internado o irmão estava com 75% dos seus pulmões comprometidos pela doença. Paulinho havia sido transferido há alguns dias para Manaus após receber os primeiros cuidados médicos na cidade de Parintins, após testar positivo para Covid.

Ex-apresentador

O ex-apresentador foi eternizado na baixa de São José, na inauguração da Universidade do Folclore “Paulinho Faria” na antiga Cibrazem, em 2009. Na época, revelado e lançado ainda na década de 80 por Paulinho Faria, o atual apresentador Israel Paulain agradeceu ao Paulinho e ao irmão dele Zezinho Faria, pela contribuição artística e apoio dentro da agremiação. O boi Garantido se confunde com o Paulinho e o Paulinho se confunde com o Garantido.

Festival

O Festival de Parintins pode ser dividido entre antes e depois de Paulinho Faria. A família, que torcia, incentivava e ajudava, mas mantinha certa distância, se viu no centro do boi quando o menino, que aos 13 anos começou no rádio, virou apresentador do Garantido, em 1975. A irmã, Graça, cuidava dos itens individuais. Antônio e Omir trabalhavam na estrutura cultural. Zezinho foi presidente. O pai, o empresário João Pedro Faria, o JP, financiava, cedia armazéns, liderava os filhos. A mãe, Maria Ângela Faria, é a eterna “Madrinha do Garantido”.

Foram 26 anos à frente do item, com 24 vitórias. Na única derrota, ele perdeu de 10 a 0, as três noites, o que, por si só, desqualifica o resultado.

Tirando toadas

Paulinho, nos últimos anos, não precisava nem falar. Bastava levantar o microfone e a torcida entrava em transe. Os rivais também o chamavam de “grilo”, por ser muito magro e dono de voz aguda e penetrante. Os levantadores tinham dificuldade em acompanhá-lo quando, sem harmonia, só na percussão, feita por treme-terras e caixinhas, “tirava” a toada num tom muito alto.

Foi assim, inteiramente no gogó, que Paulinho criou sucessos imortais. É o caso de “Quando eu chegar pra brincar”, de Braulino, que, anos depois, seria o autor de “Tic-Tic-Tac”, maior sucesso internacional dos bumbás, com o Grupo Carrapicho.

O radialista-apresentador impulsionou o Festival de Parintins à base de rivalidades. Primeiro, contra Armando Carvalho, talentoso apresentador do Caprichoso. Depois contra Zé Maria Pinheiro. O rival tinha um serviço de som e ele criou um para a empresa do pai, a famosa picape amarela, pretexto para usá-lo no Garantido. Zé Maria, para completar, torcia pelo clube de futebol Amazonas, adversário histórico do “azulão”. Então, de janeiro a janeiro, fosse no futebol ou no festival, os dois saiam pelas ruas se digladiando.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.