Zezinho do Carrapicho, intérprete de ‘Tic tic tac’, falece vítima da pandemia de Covid-19

Zezinho do Carrapicho

Zezinho do Carrapicho faleceu às 7h30 deste sábado (06/02)

Com histórico de Luiz Otávio Martins

O cantor Zezinho Corrêa (21/05/1951), 69 anos, não resistiu à Covid-19. Ele foi internado no dia 4 de janeiro, no olho do furacão da crise hospitalar da falta de oxigênio, que se agravaria dias depois. Foi transferido para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dia 07/01 e não mais saiu. O falecimento ocorreu neste sábado (06/02), às 7h30, no hospital Samel-Prontocord.

Zezinho é personalidade internacional. Tinha lugar cativo no Festival de Verão de Saint-Tropez, famoso balneário da Riviera Francesa. Vinha preparando, com integrantes do desfeito Grupo Carrapicho, uma volta aos palcos em grupo. Individualmente, ele se mantinha na ativa.

O amigo e assessor Fabrício Nunes, jornalista, lançou um livro com a história dele. Os amigos chegaram a lançar a música “Fica Comigo”, rogando pela saúde dele, depois que houve a piora. Na véspera, no boletim médico, a família foi informada que o estado do cantor era irreversível.

 

Amigo e parceiro

O maestro do Carrapicho, Carlinhos Bandeira, vinha acompanhando de perto a situação do parceiro e amigo. “A gente vinha ensaiando, pensando na volta do Carrapicho. Não sei como vai ser, depois de tantos anos, trabalhar sem ele”, disse Carlinhos. Nos últimos anos, com a banda desfeita, Carlinhos acompanhava Zezinho apenas nos teclados, inclusive nas viagens à França, país onde o sucesso de “Tic Tic Tac” começou.

 

História

Quando a banda Carrapicho conquistou sucesso internacional e nacional a partir de 1996 com a toada “Tic tic tac”, o grupo já era conhecido no Amazonas muitos anos antes e seu repertório também incluía forró. E, antes de pensar em ser cantor e vocalista do grupo, Zezinho Corrêa trabalhou durante alguns anos como ator de teatro.

José Maria Nunes Corrêa nasceu no município de Carauari, interior do Amazonas, numa comunidade chamada Imperatriz. O apelido Zezinho foi dado ainda na infância, pelos pais, Isaura e Ranulfo.

A família mudou-se para Manaus quando Zezinho tinha apenas um ano de idade. Ele, os pais e dois irmãos foram morar no bairro São Geraldo, e o pai montou um comércio que funcionava na casa onde viviam.

Ser artista e ter uma escola de artes era um desejo que Zezinho nutria desde criança, mas o pai queria que ele estudasse medicina. Acabou se formando em pedagogia, e continuava querendo trabalhar no meio artístico, não como cantor, mas como ator.

A influência para cantar veio da irmã, Fátima, que foi atriz e também cantava; de amigos que eram vocalistas de bandas; do pai, que tocava violão, e da mãe, que sempre cantava pela casa.

Na década de 1970, o incentivo definitivo para que Zezinho Corrêa se tornasse cantor veio durante os testes num curso de teatro para um personagem que cantava. A professora o incentivou a aprimorar a voz e foi o que ele fez.

Tesc

A formação como ator continuou com Aristides Pereira e com o curso da Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro. Na capital carioca, além de interpretação, estudou dança e canto. Mas, não levou o curso até o fim e, após 2 anos, escolheu voltar para Manaus, onde participou de um grupo teatral da Aliança Francesa.

Nesse grupo, ele integrou o elenco da peça “Transe”, pela qual foi premiado como ator, em 1975, num festival criado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Foi daí que recebeu o convite do escritor Márcio Souza para integrar o Grupo de Teatro Experimental do Sesc (Tesc). Nessa companhia, encenou “As Folias do Látex”, “Pequeno Teatro da Felicidade”, “Tem Piranha no Pirarucu” e “Jurupari – A Guerra dos Sexos”.

Não demorou muito para que Zezinho se envolvesse em outras atividades do Sesc até começar a trabalhar no setor de lazer. A partir daí, passou a criar projetos musicais para entreter os comerciários, até que conheceu, no final dos anos 1970, o músico Roberto Bezerra de Oliveira, o “Bopp”, que queria formar uma banda. E, em 1980, nasceu o grupo Carrapicho, apoiado pelo Sesc, com Zezinho Corrêa nos vocais.

Ao longo da década de 1980, o Carrapicho fez sucesso em Manaus e em cidades do interior do Amazonas e tornou-se conhecido em toda a região Norte, com seu repertório formado basicamente por forró e, mais tarde, por toadas de boi-bumbá.

“Tic tic tac”

Em 1993, a música “Tic tic tac”, composta por Braulino Lima, foi incluída no CD “Baticundum”, que trazia outro grande sucesso da banda, “Fica comigo”. Três anos mais tarde, uma outra versão da música foi gravada para o álbum “Festa de boi-bumbá”. “Tic tic tac” chamou a atenção de um produtor francês chamado Patrick Bruel, que estava no Amazonas por causa da produção de um filme, e, após assistir a um show do Carrapicho em Manaus, convidou o grupo para se apresentar na França.

Os integrantes aceitaram e a música do Carrapicho e a voz de Zezinho Corrêa conquistaram sucesso internacional e, em seguida, nacional, quando o grupo passou a marcar presença em programas de auditório como “Domingo Legal” e “Domingão do Faustão” e talk shows como o “Programa do Jô”.

Depois dessa temporada de grande sucesso, Zezinho Corrêa investiu em uma carreira solo. Durante esse tempo, investiu em projetos que mostraram a sua versatilidade intérprete, entre eles a participação no musical “Boi de Pano”, durante o Festival Amazonas de Ópera de 2000; o show acústico de 2001 no Teatro Amazonas, registrado em CD; , um espetáculo voltado para a discoteca dos anos 1970 ao lado das cantoras Lucilene Castro e Márcia Siqueira, e shows temáticos, como o que apresentou em 2016 com repertório de Roberto Carlos. Depois, Zezinho voltou a se apresentar à frente do Carrapicho e nunca parou de fazer shows, ora com a banda, ora em projetos solo.

Biografia

Em dezembro do ano passado, o jornalista e produtor cultural Fabrício Nunes lançou o livro “Eu Quero é Tic, Tic, Tac”, sobre a vida e a obra de Zezinho Corrêa. Em princípio, o lançamento seria presencial, no Centro Cultural Palácio da Justiça, mas devido ao aumento de casos de Covid-19 no Estado, o evento tornou-se uma live, apresentada pela jornalista Baby Rizzato, no Palácio da Justiça, com a presença da cantora Márcia Siqueira, cuja biografia escrita pela jornalista Betsy Bell, com a co-autoria de Fabrício Nunes, foi lançada na mesma época.

Na ocasião, assim como Márcia Siqueira, Zezinho Corrêa soltou a sua voz. A live pode ser conferida no canal oficial de Márcia Siqueira, no YouTube.

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1 comentário

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  1. ELeme de Almeida Vasconcelos disse:

    Quantas pessoas precisa morre para que esses jovens se sensibilizem, porquê são eles que ainda saiem para se encontrar com outros jovens as escondidas para bebe e etc. …jovem parem se não vocês vão Matar seus pais e sua família.