Oxigênio na FCecon durará poucas horas e diretor vai à Justiça contra White Martins

Oxigênio na FCecon

Oxigênio na FCecon está perto do fim e diretor vai à Justiça para cumprimento do contrato, diferente dos outros hospitais públicos, com a White Martins. Foto: Divulgação

O hospital da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), o hospital do câncer, tem poucas horas de oxigênio. O diretor da unidade, médico Gérson Mourão, perdeu a paciência e entrou na Justiça contra a empresa fornecedora, White Martins. “Nosso contrato é direto e diferente daquele da Secretaria Estadual de Saúde (SES)”, disse.

O hospital, que atende ao Amazonas e Estados vizinhos, vem tomando medidas de contenção de oxigênio desde ontem (14/01). “Decidimos agir, quando vimos a crise se instalando no Estado, suspendendo todas as cirurgias (eletivas) agendadas para ontem. E suspendemos as de hoje também. Mesmo assim, o oxigênio vai acabar”, revela. “Estamos usando nossas últimas reservas e ela dura duas horas”, acrescenta.

Eram 11h desta sexta (15/01), quando ele falou com o portal. Há 24 pacientes internados no hospital.

 

Pronto-atendimento fechado

O Pronto-atendimento da FCecon foi fechado, provisoriamente, para tentar manter as vidas dos internados na fundação, diz o diretor. “Estamos tentando falar com o pessoal da White Martins e ninguém responde a mensagens ou atende o telefone. Eles têm contrato de fornecimento conosco e vamos fazer valer na Justiça”, desespera-se Gérson Mourão.

O juiz César Bandiera, no plantão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), deferiu liminar do Governo do Estado contra a White Martins. A decisão compele a empresa a encontrar meios para abastecer os hospitais da cidade, via aérea, fluvial ou terrestre.

O Governo do Estado tem buscado ajuda em outros Estados. Até o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, se dispôs a enviar oxigênio para tentar superar a crise, que ganhou repercussão mundial. É o foco mais grave, neste momento, na pandemia de coronavírus.

Pacientes estão sendo enviados para outros Estados, que se dispuseram a cooperar com o sistema de saúde do Amazonas. Mas as autoridades estaduais estão encontrando dificuldades em convencer muitos dos internados de fazer a transferência. “Há alguns deles que dizem querer ficar e morrer aqui”, disse um médico, que preferiu não se identificar.

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