
Estudo da Fiocruz aponta que 8 linhagens do Covid-19 circulam no Amazonas. Foto: Divulgação
Estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apontou a existência de 8 linhagens do novo coronavírus circulando no Amazonas, que sugerem, ao menos, oito introduções do SARS-CoV-2 no Estado, informou o instituto nesta segunda-feira (16). Até ontem, o Amazonas tinha o registro de 4.699 óbitos pela doença e 169.552 casos confirmados.
Conforme a Fiocruz Amazônia, pesquisadores sequenciaram 79 genomas do novo coronavírus desde o surgimento do primeiro caso de Covid-19 no Amazonas, em março. Os dados foram coletados a partir de amostras obtidas em 18 municípios do estado.
As amostras sequenciadas são provenientes das cidades de Anori, Autazes, Careiro, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Presidente Figueiredo, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, e Tabatinga, além da capital Manaus.
O estudo apontou, ainda, a identificação de quatro linhagens que ainda não haviam sido sequenciadas no Brasil. “As quatro novas linhagens identificadas são a B.1.107; B.1.111; B.1.1.2; e B.1.35 que circularam na Dinamarca, Colômbia, Reino Unido e País de Gales, respectivamente. Com essas, sobem para 30 o número de linhagens encontradas no Brasil”, informou.
De acordo com o vice-diretor de Pesquisa e Inovação do ILMD/Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, o resultado do estudo mostra que o vírus entrou, ao menos, oito vezes no estado entre março e início de junho, a partir de diferentes origens.
“As proporções em que encontramos as linhagens aqui foram diferentes do Sudeste do país, mostrando uma diferença no padrão epidemiológico aqui no Amazonas. As origens mais prováveis não são as mesmas das maiorias das amostras no Sudeste”, disse.
A diferença entre as linhagens pode ajudar a identificar por onde os vírus circularam e como se dispersaram. Além disso, o sequenciamento é importante para protocolos de diagnóstico.
“Os dados do sequenciamento nos ajudam também a verificar se há a necessidade de ajustes nos protocolos de diagnóstico, por exemplo, se aqui o vírus acumulou alguma mutação que leve a um resultado falso-negativo”, informou.
Segundo Naveca, os protocolos em uso atualmente foram desenvolvidos em outros países, como China, EUA e Alemanha, levando em consideração o que se sabia da variabilidade viral naquele momento.
Em julho deste ano, a Fiocruz tinha identificado que 3 linhagens do novo coronavírus foram introduzidas no Amazonas, a partir da investigação de amostras de Manacapuru, Autazes, Careiro e Manaquiri (Região Metropolitana), Santa Isabel do Rio Negro (Rio Negro), Tabatinga e Santo Antônio do Içá (Alto Solimões), e Manicoré (Rio Madeira), além da capital Manaus.
Em Manaus foram identificadas as três linhagens. Em Manacapuru, Manaquiri e Manicoré a pesquisa encontrou duas linhagens circulando, e nos demais municípios uma linhagem. As linhagens achadas no Amazonas são frequentemente encontradas em amostras da Austrália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.
Em março deste ano Naveca concluiu o primeiro genoma SARS-CoV-2 do Norte do país. O sequenciamento dos genomas de amostras do SARS-CoV-2 contribuem para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra o vírus. Os genomas identificados no Amazonas agora podem ser comparados a outros que circulam no Brasil e no mundo.
O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio da Rede Genômica em Saúde do Estado do Amazonas (Regesam).
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